Proibição de apostas esportivas gera prejuízo de R$ 2,6 bi ao esporte olímpico e paralímpico

Apostas I 04.10.26

Por: Magno José

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PEC da Segurança pode tirar até 30% da verba das bets do esporte e COB reage
Reportagem do O Globo deste domingo destaca que o COB e CPB perderão R$ 2,623 bilhões em repasses até 2027, impactando a preparação para os Jogos de Los Angeles-2028

A proibição das apostas esportivas no Brasil vai custar ao ecossistema do esporte olímpico e paralímpico nacional cerca de R$ 2,623 bilhões em repasses até 2027. Entidades como o Comitê Olímpico do Brasil (COB), o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) e o Ministério do Esporte deixarão de receber recursos previstos pela Lei nº 14.790/2023, que havia regulamentado as bets e os jogos online no país.

O impacto foi mapeado pelo COB e confirmado por dirigentes de diversas entidades a O Globo. A projeção considera R$ 497 milhões que deixarão de ser repassados entre outubro e dezembro de 2026 e R$ 2,1 bilhões referentes à arrecadação prevista para 2027. O cálculo se baseou nos valores efetivamente recebidos entre 2025 e setembro de 2026. O impacto real, porém, será ainda maior: o levantamento não inclui os repasses diretos que confederações recebiam em razão de apostas feitas em suas próprias modalidades.

O governo federal editou uma Medida Provisória para encerrar as operações das bets, publicada próximo às Eleições Gerais. A justificativa oficial é a proteção às famílias brasileiras diante do endividamento causado pelas apostas.

Impacto no COB e na preparação para Los Angeles

Marco La Porta, presidente do COB, afirmou que a entidade arrecadou cerca de R$ 200 milhões entre 2025 e setembro de 2026 com os repasses das bets. A estimativa era receber mais R$ 25 milhões até o fim de 2026 e entre R$ 125 milhões e R$ 130 milhões em 2027. Com orçamento total de R$ 600 milhões, o COB perderá cerca de 20% de sua receita prevista.

“Nosso maior impacto será no ano que vem porque não terá arrecadação. Ou seja, são R$ 125 milhões a menos a dois anos dos Jogos Olímpicos, e claro isso terá consequências”, declarou La Porta durante a COB Expo. “Voltaremos ao patamar de antes de 2025, quando não tínhamos esse recurso. Vamos ter de trabalhar com esta realidade.”

Para preservar a preparação do Time Brasil para os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028, La Porta anunciou cortes em outras áreas e o uso do fundo de reserva da entidade. Projetos como a ampliação dos Jogos da Juventude serão adiados. O presidente ressaltou que clubes com contratos já firmados devem sentir o impacto de forma ainda mais intensa. “Entendemos que deveria ter tido um período de transição para adaptação”, disse.

Jorge Bichara, diretor de Esporte do COB, admitiu incerteza sobre a capacidade de manter todos os planos traçados para Los Angeles. “Estamos discutindo o orçamento e quanto será distribuído para as confederações em 2027. E com a saída destes recursos, vamos fazer uma realocação interna para cobrir as prioridades, dentre elas, a preparação para Los Angeles, que, aliás, se mostra caríssima, principalmente no suporte dentro dos Jogos”, afirmou Bichara. “Recebi a orientação de que a preparação para Los Angeles segue sendo nossa prioridade. Mas, se conseguiremos atender todas as frentes que tínhamos proposto, não sei dizer ainda.”

Ainda assim, o COB não vai reduzir os repasses às confederações. Em 2026, a entidade programou R$ 285 milhões em investimentos. La Porta explicou que, por insegurança jurídica durante a regulamentação das bets, os recursos provenientes dessas apostas foram direcionados ao fundo de reserva técnica do COB. Em compensação, as confederações receberam repasses maiores via Lei Agnelo Piva, das Loterias Federais da Caixa. “Não devemos diminuir o repasse, mas também não vamos aumentar. Cortaremos no COB. Sei da dificuldade das confederações pequenas”, disse La Porta.

Confederações contam o prejuízo

O CPB recebeu R$ 57,4 milhões das bets em 2025. Até setembro de 2026, o valor somava R$ 54,1 milhões, com projeção de R$ 82,1 milhões para 2027. O CBC calcula um rombo de cerca de R$ 50 milhões.

“Acho que tudo isso foi um desserviço. Justamente na hora em que os clubes estavam se organizando para grandes eventos, como Olimpíada, fazendo contratações, programando cursos. Essa verba fará falta no futuro”, afirmou Paulo Maciel, presidente do CBC. Maciel ainda disse acreditar que o Congresso, ao analisar a proibição, tomará um caminho diferente. “Foi uma falta de preparo do governo, que legalizou, regulamentou e não conseguiu administrar.”

A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) receberá R$ 6,1 milhões do COB via Lei Agnelo Piva até o fim de 2026, menos da metade dos R$ 13 milhões que obteve das bets em 2025. Somando os dois anos, o valor com bets chegou a cerca de R$ 19 milhões. “A NBA impulsiona muito as apostas, e a temporada começa em outubro. Projetávamos um fim de ano melhor e 2027 melhor ainda”, disse André Alvez, CEO da CBB. “Para nós é ruim porque nos programamos em cima da lei. Acho que depois do futebol, somos a modalidade com maior prejuízo.”

A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) acumulou cerca de R$ 5 milhões em repasses de apostas esportivas desde abril de 2025, dentro de um orçamento total de R$ 25 milhões. O presidente Vilmar Schindler afirmou que o valor ainda não havia sido utilizado, pois a entidade aguardava regras mais claras para sua aplicação. “Estávamos considerando esses recursos no planejamento de investimentos adicionais no alto rendimento e na formação de atletas. Eles representam uma oportunidade de ampliar iniciativas importantes para o desenvolvimento do tênis de mesa, além das ações que já estão em execução”, disse Schindler.

Pela Lei nº 14.790/2023, 36% da arrecadação das bets seriam destinados ao esporte. A divisão previa: 22,20% ao Ministério do Esporte, 2,20% ao COB, 1,30% ao CPB, 0,70% ao CBC, 0,50% à Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE), 0,50% à Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU), 0,30% ao Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP) e 0,30% ao Comitê Brasileiro do Esporte Master (CBEM). Outros 0,70% seriam repassados às secretarias de esporte estaduais e do Distrito Federal.

 

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