MP das bets já custou 3,5 mil empregos e demissões devem chegar a 5,6 mil em 90 dias, apontam parciais de levantamento da ANJL

Os primeiros números do levantamento da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) sobre os efeitos da Medida Provisória nº 1.394/2026 no mercado de trabalho mostram o tamanho do estrago provocado pela proibição das apostas de quota fixa no país. Parciais obtidas pelo BNLData indicam que 23% de toda a força de trabalho já foi demitida, 28% estão em férias coletivas e a previsão é de que os desligamentos alcancem 37% do quadro em 90 dias.
Projetados para o conjunto do mercado, que emprega cerca de 15 mil pessoas, os percentuais correspondem a aproximadamente 3.500 trabalhadores demitidos e 4.167 em férias coletivas. Em três meses, o total de demissões deve chegar a 5.600, o que significa mais 2,1 mil postos de trabalho eliminados além dos já perdidos.
Somados demitidos e afastados, 51% da mão de obra do setor, ou mais de 7,6 mil pessoas, já perdeu o emprego ou foi colocada em férias coletivas em menos de duas semanas de vigência da medida.
“Isso é mais gente que uma grande multinacional”, resumiu uma fonte do mercado que acompanha a consolidação dos dados.
Como o levantamento é feito
A pesquisa foi lançada pela ANJL para dimensionar, com números reais, os efeitos da MP sobre empregos diretos e indiretos. O formulário é destinado tanto às operadoras quanto às prestadoras de serviços do setor e deve ser preenchido por representantes de RH ou da diretoria com acesso aos números da empresa. As operadoras também foram orientadas a encaminhá-lo a fornecedores e parceiros impactados.
São considerados “em razão da MP” os desligamentos e encerramentos ocorridos a partir de 25 de setembro de 2026, data do anúncio da medida pelo governo. O prazo para envio das respostas termina nesta quarta-feira (7).
“Precisamos de números reais para dimensionar os efeitos da medida sobre os trabalhadores e as empresas que dependem da atividade”, afirma o presidente da ANJL, Plínio Jorge, no comunicado enviado aos operadores. Segundo a entidade, os dados serão consolidados e divulgados exclusivamente de forma agregada e anônima.
Números ainda podem crescer
Os resultados são preliminares e devem mudar com a consolidação das respostas. A tendência é de alta, já que a cadeia de fornecedores inclui meios de pagamento, tecnologia, atendimento, compliance, marketing, agências, afiliados e veículos de comunicação, segmentos que dependem diretamente da atividade e cujos números ainda estão chegando.
As férias coletivas, por sua vez, funcionam como compasso de espera. As empresas aguardam uma definição do Supremo Tribunal Federal, onde tramitam ações contra a MP sob relatoria do ministro Luiz Fux, e do Congresso Nacional, que precisa votar a medida. Sem reversão, parte desses 4.167 trabalhadores tende a engrossar a lista de demitidos.
O dado que ficou fora do balanço
O impacto sobre o emprego não apareceu nas apresentações oficiais do governo sobre a proibição. São postos de trabalho formais, criados em um mercado regulamentado pelo próprio governo Lula, por empresas que pagaram outorga e cumpriram as exigências da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Em 22 meses de regulação, o setor estruturou equipes no Brasil justamente porque a lei passou a exigir presença local.
Cada um desses números representa uma família. E o levantamento chega em meio à disputa eleitoral, depois de a própria campanha do presidente avaliar que a proibição das bets prejudicou o resultado do primeiro turno.
Fica a pergunta: será que essas pessoas e seus familiares votariam na reeleição de Lula?


