Mais de 23 clubes pedem ao STF liberação de patrocínio de bets

Apostas I 10.10.26

Por: Magno José

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Flamengo, Botafogo e São Paulo alertam para impacto bilionário com a proibição de apostas esportivas no futebol brasileiro, Flamengo estima perdas de R$ 430 milhões

Pelo menos 23 clubes de futebol ingressaram com pedidos no Supremo Tribunal Federal (STF) para participar da ação que contesta a medida provisória (MP) que proíbe as casas de apostas no Brasil. O Flamengo estima perdas de até R$ 430 milhões em 2027, o Botafogo alerta para riscos ao seu plano de recuperação judicial e um grupo de cinco clubes, incluindo o São Paulo, adverte sobre o risco de atrasos no pagamento de salários de jogadores.

A ofensiva judicial dos clubes, reportada pelo Globo Online, ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar, nesta quinta-feira (25/9), a MP que determinou o fim das bets no país. Os sites e aplicativos foram bloqueados nesta segunda-feira (6/10), e os patrocínios das empresas do setor também passaram a ser proibidos.

O Flamengo foi o primeiro clube a protocolar o pedido, direcionado ao ministro Luiz Fux, relator da ação no STF. No documento, o clube afirma ter “estimado perdas imediatas de receita da ordem de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões” para o próximo ano. A defesa também argumenta que a medida prejudica não apenas o futebol, mas também os esportes olímpicos. O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, se posiciona publicamente contra a proibição desde o anúncio em setembro. Nesta quinta-feira (8/10), o time entrou em campo contra o Santos com a frase “proibir não é proteger” no lugar do patrocínio da Betano, e a mesma mensagem foi exibida nas placas de publicidade de estádios do Brasileirão durante a semana.

O clube carioca também aponta dificuldades operacionais para cumprir a ordem de remoção das marcas de apostas dos uniformes e das placas do Maracanã. “Um patrocínio esportivo não é um anúncio que se retira de sítio eletrônico; é a marca aplicada em uniformes produzidos com meses de antecedência pelo fornecedor de material esportivo, já comercializados e vestidos por milhões de torcedores; é a placa fixada no estádio e o painel de LED programado para a transmissão”, afirma o documento do Flamengo.

Botafogo e a recuperação judicial

O Botafogo também apresentou pedido individual ao STF. O clube se tornou uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) em 2021 e entrou em processo de recuperação judicial em maio deste ano por dificuldades financeiras. Segundo a SAF, os cerca de US$ 10 milhões anuais do patrocínio master da Vbet integravam o fluxo de caixa base do plano de recuperação submetido aos credores. “A supressão abrupta do patrocínio não atinge, portanto, apenas o clube; compromete a execução de um plano de recuperação sob supervisão judicial, com reflexo sobre todos seus credores”, argumenta o clube no documento.

Cinco clubes alertam para risco salarial

São Paulo, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa protocolaram um pedido conjunto no STF. O grupo alerta que a interrupção dos contratos de patrocínio pode comprometer o pagamento de salários e outras despesas até o fim do ano. “Suprimida a principal receita comercial em plena temporada, as entidades passam a acumular atrasos salariais; o atraso no pagamento de salários ou de direito de imagem por três meses autoriza a rescisão dos contratos de trabalho desportivo, com a liberação dos atletas”, afirmam os clubes no documento.

O São Paulo aponta que seu contrato com a Superbet prevê o pagamento de R$ 95 milhões em 2026 e um total de R$ 678 milhões até 2030, acordo que está suspenso sem definição entre as partes. O clube mantém cerca de 15 mil camisas com a marca da patrocinadora em estoque; 10 mil unidades estão destinadas às vendas online e outras 5 mil, às lojas físicas. O Vitória estima perdas de R$ 2,5 milhões por mês e de R$ 55 milhões até o fim de 2027. Guarani, Ponte Preta e Portuguesa, que não têm patrocinadores master do setor, argumentam que a proibição dificulta a obtenção de novas receitas; o Guarani também sinaliza riscos ao seu plano de recuperação judicial.

Impacto financeiro no futebol brasileiro

O segundo pedido coletivo reúne 16 clubes, entre eles Fluminense, Cruzeiro, Ceará, Atlético-GO, Avaí, Chapecoense, Goiás e Juventude. O grupo argumenta que as empresas de apostas destinaram mais de R$ 1 bilhão em patrocínios aos times da Série A em 2025, valor equivalente a 34% das receitas comerciais dessas equipes. As equipes alertam ainda para impactos sobre o financiamento das categorias de base, do futebol feminino e de modalidades olímpicas e paralímpicas.

Os clubes questionam a ausência de um período de transição para a retirada dos patrocínios e sustentam que a medida compromete contratos celebrados sob regras autorizadas pelo próprio governo. O grupo levanta também um argumento tributário; a proibição reduziria as receitas previstas com o Imposto Seletivo sobre apostas, o que poderia pressionar a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista na reforma tributária.

 


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