MP de Lula proíbe bets e ameaça receita de R$ 600 mi dos clubes de futebol

Apostas I 26.10.26

Por: Magno José

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MP de Lula proíbe bets e ameaça receita de R$ 600 mi dos clubes de futebol
Reportagem da VEJA destaca que decisão do governo afeta 14 dos 20 times da Série A que têm casas de apostas como patrocinador master e coloca em risco recuperação judicial do Botafogo

A Medida Provisória nº 1.394/2026, editada pelo governo Lula para proibir as casas de apostas esportivas, retirou uma das maiores fontes de receita dos clubes brasileiros de futebol. As bets respondem por 34% das receitas de marketing das equipes da Série A e ocupam o espaço de patrocinador master em 14 dos 20 times da competição, conforme dados da consultoria Sports Value.

A reportagem da Veja revela o impacto financeiro da medida sobre um setor que já acumulava dívidas, salários atrasados e credores à porta. Com a saída das bets, os dirigentes correm para fechar acordos provisórios com outros anunciantes e aguardam uma possível reversão da MP pelo Congresso Nacional ou pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A insatisfação com a medida já chegou aos gramados. No jogo entre São Paulo e Vasco, nesta terça-feira (17/10), o clube paulista estampou na camisa a mensagem “Proibir não é proteger”. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, foi ainda mais direto sobre as consequências. “Não teremos dinheiro para pagar o salário do Lucas Paquetá em janeiro com essa MP”, afirmou em entrevista recente. Se até o clube de maior força financeira do país projeta dificuldades, o efeito sobre equipes mais endividadas tende a ser proporcional.

Recuperação judicial em risco

O caso mais grave identificado pela Veja é o do Botafogo. Documentos obtidos pela revista indicam que a recuperação judicial do clube está ameaçada. O contrato do Botafogo com uma casa de apostas prevê receitas anuais de 50 milhões de reais. Em ação direta de inconstitucionalidade apresentada ao STF, o clube argumenta que a MP prejudica também os credores que têm valores a receber. “A supressão abrupta do patrocínio compromete a execução do plano de recuperação judicial, com reflexos sobre toda a coletividade de credores”, diz o documento.

Para atravessar os próximos meses sem romper os vínculos com as bets, vários clubes fecharam contratos temporários com outros anunciantes. O Corinthians firmou acordo com a Shopee; o Santos, com o Agibank; e o Flamengo, com a Lubrax. São Paulo e Fluminense optaram por exibir a marca Superscore, mantendo a exposição de um negócio ligado à antiga patrocinadora. A estratégia é ganhar tempo até dezembro, na expectativa de que o Congresso rejeite a MP ou de que o STF acolha os argumentos apresentados pelos clubes.

O custo da substituição

Encontrar um substituto para ocupar o espaço das bets nas camisas, porém, não significa recompor a receita perdida. Segundo Amir Somoggi, fundador da Sports Value, as casas de apostas desembolsam, em conjunto, entre 500 milhões e 600 milhões de reais a mais em publicidade do que empresas dos demais setores. Entre 2023 e 2025, o faturamento dos clubes com marketing cresceu 95%, de acordo com o especialista. “Sem os recursos das bets, o avanço teria sido de apenas 25%”, declarou Somoggi.

O contraste com a abordagem adotada na Inglaterra é citado como exemplo de transição bem conduzida. Em 2023, os clubes da Premier League decidiram retirar anúncios de casas de apostas da parte frontal das camisas a partir da temporada 2026/2027, preservando outras formas de patrocínio. “Esse é um caso de evolução regulatória de sucesso, que trouxe um prazo de três anos de adaptação”, disse Carlos Lima, presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável. No Brasil, a MP não previu período equivalente de transição para que os clubes reorganizassem seus orçamentos.

 


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