Aposta na arrecadação: jogos de azar viram arma ‘antipindaíba’
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O QUE ESTÁ SENDO PROPOSTO
Veja os principais pontos do projeto que tramita no Senado:
MODALIDADES
Jogo do bicho, videobingo e videojogo, on-line e presencial; jogo de bingo; jogos de cassinos em complexos integrados de lazer; jogos de apostas esportivas e não esportivas, on-line e presenciais; jogos de cassino on-line.
EMPRESAS
Devem ter sede no Brasil e não podem ser ligadas a políticos ou parentes de até segundo grau.
ESCOLHA
As empresas devem se credenciar e serão escolhidas por processo seletivo público. Fica proibido o acesso a benefícios fiscais ou receber empréstimos ou financiamentos de bancos públicos.
CRITÉRIO DE ESCOLHA
Em caso de disputa entre empresas, será escolhida a que propuser o maior investimento; maior número de empregos a serem criados; contratação de mão de obra local; e ações de sustentabilidade ambiental.
IDENTIFICAÇÃO
Todos os jogadores devem ser identificados – por RG e CPF, no caso de brasileiros, e passaporte, se forem estrangeiros. As empresas também devem informar à Receita Federal pagamento de prêmio superiores a R$ 10 mil.
PRÊMIOS
Em videojogos, devem corresponder a, no mínimo, 80% do total de apostas por terminal.
CASAS DE BINGO
Devem ter capacidade mínima de 250 pessoas, sala própria, com sistema de som e prêmios em dinheiro. Será autorizado um estabelecimento a cada 150 mil habitantes. O prazo de exploração será de 20 anos, renováveis por mais 20 anos.
CASSINOS
Devem ser construídos em complexos integrados de lazer, com acomodações hoteleiras de alto padrão, com bares, restaurantes e local para reuniões e eventos culturais. O cassino não pode ocupar mais do que 10% da área total do complexo. Poderão explorar jogos de cartas, jogos eletrônicos e roleta. O mesmo grupo econômico não poderá explorar mais de três cassinos. Autorização de 30 anos, sem limite de renovações sucessivas.
TRIBUTAÇÃO
10% em estabelecimentos físicos; 15% para os jogos on-line.
DIVISÃO
União ficará com 40%; para municípios, 30%; e para Estados e Distrito Federal, 30%. Os recursos devem ser destinados para a saúde, previdência e segurança.
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A favor
‘Jogo legal: ganham Estado e sociedade’
Magnho José*
Os 76 anos de proibição do jogo no Brasil acabaram rotulando equivocadamente esta atividade como uma questão moral, a exemplo de aborto, união homoafetiva e drogas. Além disso, questões religiosas, políticas, ideológicas acabam contaminando o debate sobre a legalização deste setor.
A legislação proibitiva não alterou o cenário de ilegalidade do jogo, que movimenta anualmente em apostas clandestinas R$ 19 bilhões contra os R$ 12,8 bilhões dos jogos legais. Estudo do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IJL) e do Boletim de Notícias
Lotéricas (BNL) apresentado e defendido em pelo menos quatro congressos internacionais do setor indica que este mercado com a legalização tem potencial de gerar cerca de R$ 18 bilhões por ano em impostos e mais de R$ 10 bilhões com outorgas. Aposta em jogos e loterias é uma forma lúdica de pagar impostos.
O levantamento também indicou que, além dos tributos e investimentos, seriam formalizados 450 mil empregos do jogo do bicho e criados pelo menos mais 150 mil novas vagas, sem contar os postos indiretos.
No caso do jogo, só temos duas opções: jogo legal ou ilegal. A opção ‘não jogo’ é impossível, pois mais 20 milhões de brasileiros apostam todos os dias no jogo do bicho, outros 10 milhões em algum tipo de jogo na internet e milhares em outras modalidades.
Toda proibição é discutível e quase sempre inútil, pois nada resolve, como não resolveu nos Estados Unidos a edição da Lei Seca. No Brasil, a proibição dos jogos também não resolveu o problema do centenário jogo do bicho.
A ‘indústria da proibição’ é uma atividade muito lucrativa, e é preocupante que evangélicos, católicos e até mesmo uma frente parlamentar contrária à legalização
dos jogos estejam liderando o lobby para manter esta atividade na clandestinidade.
O poder público e a sociedade devem pensar bem antes de transformar as boas intenções dos honrados cidadãos em novos negócios para o crime organizado, pois quem quiser jogar e apostar, e não puder fazê-lo de acordo com a lei, irá buscá-lo no mercado negro.
(*) MAGNHO JOSÉ, PRESIDENTE DO INSTITUTO BRASILEIRO JOGO LEGAL IJL‑ E PROFESSOR DE COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL DA UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES – RJ
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Contra
‘Azar para muitos, promessa de caixa 2 e impacto na saúde pública’
Paulo Fernando Melo*


