Opinião: Posição do presidente sobre a legalização dos jogos é ‘para evangélico ver…’

Destaque I 18.01.22

Por: Magno José

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A afirmação de Jair Bolsonaro que “os jogos de azar não são bem-vindos no Brasil” é conflitante com os sinais emitidos pelos filhos do presidente e os ministros do seu governo. O tema tem sido discutido na ‘cozinha’ do Palácio do Planalto

Parece que o presidente Jair Bolsonaro está se valendo do conceito ‘Lei para inglês ver’ no caso da legalização dos jogos de azar. A expressão é usada no Brasil para leis ou regras consideradas demagógicas e que não são cumpridas na prática.

Como muito bem registrou o jornalista Leandro Mazzini em sua coluna na IstoÉ desta semana: “Há um jogo combinado em Brasília. O Congresso aprova a legalização dos jogos de azar, o presidente da República veta – para segurar o voto evangélico – e os parlamentares derrubam o veto. Todos ganham”.

“No Parlamento, foi aprovado o regime de urgência desse projeto, se não me engano, com 300 e poucos votos. Então é um sinalizador que, se eu vetar aqui, como já falei que vetaria, o veto seria derrubado lá. Já fui sondado, por parte de algumas lideranças, (sobre) como me comportaria em aprovando o projeto. Eu falei que vetaria o projeto”, disse Bolsonaro, em entrevista à Rádio Viva.

Pelo visto a manifestação do presidente está atendendo ao objetivo de agradar a bancada evangélica. Através do Twitter, o deputado/pastor Sóstenes Cavalcante parabenizou o presidente Jair Bolsonaro.

“Parabéns, presidente @jairbolsonaro! É exatamente esse posicionamento que esperamos de um presidente que valoriza e defende o Brasil, seus costumes e seu povo. Não precisamos e não podemos aceitar o mal, que os jogos de azar representam, no nosso país. Seguiremos lutando!”

Prática diferente do discurso

Com relação a afirmação de Jair Bolsonaro que “os jogos de azar, no meu entender, não são bem-vindos no Brasil”, parecem que são palavras ao vento, pois os sinais emitidos pelos filhos do presidente e os ministros do seu governo indicam que este tema tem sido discutido na ‘cozinha’ do Palácio do Planalto.

Em janeiro de 2020, os senadores Flávio Bolsonaro e Irajá Silvestre, o deputado Hélio Negão (PSL-RJ) e o então diretor-presidente da Embratur e atual ministro do Turismo, Gilson Machado visitaram Las Vegas e se reuniram com o CEO do Las Vegas Sands Corporation, Rob Goldstein e o vice-presidente de Relações Governamentais do Las Vegas Sands Corporation, Andy Abboud.

O maior financiador da campanha do Republicano Donald Trump, ex-CEO do Las Vegas Sands e falecido Sheldon Adelson sempre defendeu abertamente a legalização exclusiva e de poucos resorts integrados com cassinos. Em 2018 o milionário veio ao Brasil em seu avião, hospedou-se no Copacabana Palace e encontrou-se com o candidato Jair Bolsonaro, que estava acompanhado pelo de Paulo Guedes. Ambos chegaram à suíte do magnata entrando pela cozinha do hotel.

Em setembro de 2020, o senador Irajá Abreu apresentou no Senado Federal um projeto de lei para legalizar apenas um resort integrado com cassino por estado e Distrito Federal. Na sequência, o Irajá Abreu visita Gilson Machado na Embratur acompanhado pelos deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Hélio Lopes (PSL-RJ). Eles apoiam a instalação de empreendimentos do tipo no País. Os filhos Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, além do deputado Hélio Negão e do ministro do Turismo, Gilson Machado frequentam a cozinha do presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, o ministro da Economia, Paulo Guedes defendeu na reunião ministerial de abril de 2020, a liberação dos jogos de azar para incrementar turismo no Brasil e ainda discutiu com a ministra Damares Alves com a expressão que ficou famosa: “Deixa cada um se foder do jeito que quiser”.

“Atrapalha ninguém. Aquilo não atrapalha ninguém. Deixa cada um se foder. Ô Damares. Damares. Damares. Deixa cada um. Damares. Damares. O presidente, o presidente fala em liberdade. Deixa cada um se foder do jeito que quiser. Principalmente se o cara é maior, vacinado e bilionário. Deixa o cara se foder, pô!”. Guedes ainda disse que “nenhum brasileirinho desprotegido” entraria no local. “Não entra nenhum brasileirinho desprotegido. Entendeu?”.

Para comprovar a tese que a declaração do chefe de governo é isolada do seu entorno, a legalização dos jogos tem o apoio do Centrão e de aliados próximos do presidente como o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira e o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira.

Bolsonaro volta a dizer que vetará projeto que legaliza jogos de azar

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