Apostadores compulsivos se inspiram na teoria evolutiva para apostar
O site do O Globo revela que uma pesquisa de uma equipe internacional de cientistas avalia que a evolução – assim como as técnicas básicas de sobrevivência adotadas pelo início da Humanidade – influencia as decisões de apostadores antes de fazerem seus jogos.
A descoberta pode explicar porque algumas formas de tratamento destinadas a apostadores convulsivos não funcionam.
Para o estudo, publicado recentemente na revista "Fontiers in Psychology", os cientistas das universidades McCaster, Lethbridge e Liverpool examinaram como os apostadores, bem ou mal sucedidos, tomam suas decisões. E descobriram que, assim como nossos ancestrais, os fãs de jogos confiam em experiências passadas para prever o que ocorrerá no futuro.
Em jogos de azar, porém, resultado é completamente aleatório, e esta estratégia não funciona.
– Se você jogar uma moeda cinco vezes seguidas e der "cara", temos um estranho instinto de que na sexta vez o mesmo acontecerá – explica Jim Lyons, professor da Universidade McCaster e autor principal do projeto. – Mas sua chance, na verdade, é exatamente 50%. Concluímos que certos aspectos relacionados ao comportamento do jogador compulsivo podem estar relacionados a fatores neurobiológicos e ao modo como direcionamos nossa atenção.
Os pesquisadores conduziram dois experimentos. No primeiro, pediu-se para que eles observassem dois pontos que eram iluminados em uma sequência aleatória. Os cientistas davam dinheiro para que eles apostassem em qual local acenderia uma luz. Os voluntários mantiveram o valor das apostas independentemente do quanto ganhavam ou perdiam. Mas, quando eram bem sucedidos, eles eram propensos a mudar sua aposta para a rodada seguinte.
Em outro experimento, os participantes passavam pelo meu teste com um parceiro. Assim como na primeira etapa, os jogadores mantiveram o valor das apostas desconsiderando o número de vitórias. Se seu participante acertava a luz que seria acesa, a dupla normalmente apostava, na rodada seguinte, em outro ponto.
– Os humanos fazem decisões racionais baseados em experiências diárias. Pense em alguém pegando árvores em um pomar. Uma vez que a primeira árvore já não tem o fruto para oferecer, fazemos uma decisão racional para escolher qual será a próxima árvore – afirma Dan Weeks, professor de psicologia da Universidade de Lethbridge. (O Globo – Extra)


