Apostas ilegais movimentam R$ 40 bi por ano no Brasil, aponta IBJR

Apostas I 01.09.25

Por: Magno José

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IBJR: “O Brasil aposta errado na tributação do setor”
Estudo apresentado em audiência no Senado revela que mercado clandestino representa 51% do setor e causa perda de R$ 10,8 bilhões em arrecadação. Entidade defendeu o combate ao mercado ilegal como alternativa para aumentar arrecadação sem prejudicar setor regulado

Fernando Vieira, presidente executivo do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), participou de audiência pública na Comissão Mista do Senado que analisa a Medida Provisória 1.303/25. O encontro ocorreu na quarta-feira (27) e abordou a proposta de aumento na tributação do setor de apostas esportivas no Brasil.

Durante a sessão, Vieira apresentou o estudo “Fora do Radar – Dimensionamento e impactos socioeconômicos do mercado ilegal de apostas no Brasil”, elaborado pela LCA Consultoria Econômica a pedido do IBJR. (confira aqui o estudo apresentado na audiência pública)

“Existe um imaginário de que o setor das bets pode bancar sozinho as contas do Brasil. Isso é irreal. A soma da receita das cinco maiores empresas brasileiras é quase 50 vezes maior que toda a receita do mercado licenciado de apostas. É desproporcional e uma total quebra de confiança no regulador, tendo o mercado sido regulado há apenas oito meses”, indicou o representante da associação, que reúne as principais casas de apostas do Brasil e do mundo.

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Mercado clandestino e arrecadação

Os dados apresentados pelo IBJR indicam que o mercado clandestino representa 51% do total de apostas realizadas no país. A movimentação financeira desse segmento ilegal atinge R$ 40 bilhões por ano, segundo o levantamento.

O estudo aponta que a operação de apostas não regulamentadas gera uma perda de arrecadação estimada em R$ 10,8 bilhões para os cofres públicos brasileiros.

“Não é verdade que as bets pagam apenas 12% de imposto. Esse percentual é uma contribuição específica. Com todos os tributos sobre o consumo, a carga já chega a 28% com a MP e a mais de 40% com a reforma tributária – sem contar o imposto seletivo e os impostos sobre a renda das empresas. Esse cenário não traz sustentabilidade. Pelo contrário: quebra os operadores legais e fortalece o mercado clandestino”, destacou Vieira.

Na audiência, Vieira expressou preocupação com os efeitos potenciais da Medida Provisória em discussão, afirmando que a proposta poderia “destruir um mercado recém-regulado e empurrar milhões de apostadores para a ilegalidade”.

O presidente do IBJR defendeu uma estratégia alternativa para aumentar a arrecadação governamental. “A cada 5 pontos percentuais de formalização, o Brasil arrecada R$ 1 bilhão a mais. O caminho mais eficiente para aumentar a arrecadação é combater o jogo ilegal, e não sufocar quem está regulado e pagando impostos”, declarou Vieira.

Segundo ele, a consequência direta de sobrecarregar o setor é expor ainda mais os apostadores. “As pessoas não vão deixar de jogar, mas, no clandestino, não há regras, não há auditoria, não há proteção. As externalidades aumentam, e quem perde é o consumidor. O nosso apelo é claro: a solução está em combater a ilegalidade, consolidar o mercado regulado, arrecadar de forma eficiente e proteger o apostador”, concluiu.

Principais conclusões do estudo:

⇒ Sobretaxar o mercado de apostas legalizado não resolve o problema fiscal do Brasil.

⇒ O mercado recém legalizado irá “desmoronar”;

⇒ As externalidades do jogo irão aumentar; e

⇒ A solução é combater a ilegalidade, consolidando o mercado regulado, arrecadando e protegendo o consumidor.

 


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