B3 debate abertura de contratos de previsão ao varejo, mas esbarra em regulação

Apostas I 20.09.26

Por: Magno José

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B3 debate abertura de contratos de previsão ao varejo, mas esbarra em regulação
Evento na B3 Week 2026 discutiu como liberar os mercados de previsão para pequenos investidores sem os riscos das apostas online; CVM ainda restringe acesso

A B3 está desenvolvendo contratos de mercados de previsão que transformam expectativas sobre eventos futuros em preços negociáveis. O avanço do produto, que hoje se restringe a investidores institucionais e profissionais, dominou o debate na B3 Week 2026 em torno de uma questão central: como abrir esse mercado ao varejo sem reproduzir os problemas das apostas online.

Reportagem do Estadão acompanhou as discussões do evento, realizado entre terça-feira (14/9) e quinta-feira (16/9), em São Paulo. A questão regulatória é um dos nós da expansão: a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda restringe a distribuição desses contratos, impedindo o acesso do pequeno investidor.

O funcionamento é relativamente direto. Um contrato pode representar a probabilidade de determinado evento acontecer. À medida que os participantes compram e vendem posições, o preço passa a refletir as diferentes expectativas do mercado, transformando uma probabilidade, que normalmente aparece em relatórios ou pesquisas, em um valor negociado.

Luiz Masagão, diretor da B3, classifica os mercados de previsão entre as inovações mais relevantes surgidas no mercado financeiro nas últimas décadas. Para ele, o diferencial está na capacidade de transformar eventos muito distintos em ativos negociáveis e em uma experiência mais acessível para o investidor.

Porta de entrada para o varejo

A simplicidade do produto é o principal argumento para sua abertura ao varejo. Thiago Godoy, fundador do projeto de educação financeira Papai Financeiro, diz receber de seus seguidores dúvidas sobre como esses mercados funcionam e, sobretudo, sobre a diferença entre negociar uma previsão e fazer uma aposta esportiva.

Godoy aponta três razões para o interesse crescente: o produto é mais fácil de compreender do que derivativos tradicionais, permite ao investidor colocar dinheiro em uma opinião sobre determinado acontecimento e oferece a possibilidade de retorno financeiro. A combinação, no entanto, também gera alerta.

Para o influenciador, o crescimento dos mercados de previsão precisa ser acompanhado de uma forte frente de educação financeira. Ele citou o histórico das apostas esportivas online e a atuação de influenciadores que exibiam ganhos extraordinários ou telas adulteradas para estimular seguidores a apostar. “A maneira de ganhar esse jogo no Brasil, acima até da regulação, é colocar o usuário em um caminho muito bom de compreensão das diferenças, das oportunidades e dos riscos”, afirmou Godoy.

Risco de manipulação e estrutura regulada

Jerson Zanlorenzi, sócio e responsável pela mesa de ações e derivativos do BTG Pactual, afirmou uma diferença estrutural em relação a outros produtos. Nos contratos de evento, o investidor conhece previamente os resultados possíveis e o limite de perda, enquanto operações com futuros envolvem mecanismos como margem e ajuste de posições, o que torna a negociação mais complexa. A avaliação do mercado é que essa porta de entrada, com educação financeira, pode aproximar novos investidores de outros produtos.

Masagão reconhece que os mercados de previsão, por abrangerem eleições, indicadores econômicos, clima e uma variedade de outros eventos, atraem também tentativas de manipulação. Por isso, defende que os contratos se mantenham dentro de uma infraestrutura regulada, capaz de identificar participantes, monitorar operações suspeitas e responsabilizar infratores.

O argumento é que a mesma estrutura usada para fiscalizar negociações com ações e outros ativos pode ser aplicada aos novos contratos. Nesse modelo, o preço cumpre uma função dupla: determina ganhos e perdas e funciona como uma medida, atualizada pelo próprio mercado, da probabilidade atribuída a um acontecimento.

A B3 Week 2026, em sua sétima edição, reúne representantes do mercado de capitais brasileiro e de instituições internacionais para discutir economia, tendências globais, regulação, investimentos, dados e tecnologia.

 


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