Bet da Caixa recebe 81,4% de rejeição nas redes sociais, revela pesquisa da Ativaweb

A Caixa Econômica Federal lançou sua própria plataforma de apostas esportivas, denominada “Bet da Caixa”, que recebeu forte desaprovação nas redes sociais. O monitoramento realizado pela empresa Ativaweb entre os dias 23 e 25 de outubro de 2025 identificou que 81,4% das menções sobre a iniciativa foram negativas.
O levantamento analisou 891.071 menções ao tema durante 48 horas, coletadas a partir das APIs das plataformas Meta (Facebook e Instagram), X, TikTok e YouTube. Os dados mostram que a reputação do Presidente Lula também foi afetada, com seu nome aparecendo em 282.000 menções (31,6% do total), das quais 90% apresentavam teor negativo, segundo informações do Canalmynews.
A plataforma de apostas foi desenvolvida com o objetivo de gerar até R$ 2,5 bilhões em 2026 para o banco público, compensando perdas em outras receitas de loterias. Porém, a discussão nas redes sociais rapidamente se deslocou do aspecto econômico para questões éticas.
Vale ressaltar que a Lei 14.790/2023, criada durante o Governo Lula, estabelece que as apostas de quota fixa são uma modalidade lotérica. Embora o governo tenha adotado discursos críticos em relação às bets recentemente, a Caixa, com sua expertise na área, surge como um importante player nesse mercado.
Alek Maracajá, sócio da Ativaweb, afirmou que as críticas se concentraram em três narrativas principais. Uma delas foi classificada como “Hipocrisia estatal”, com usuários questionando o posicionamento do governo em relação ao setor de apostas.
A segunda linha crítica apontou um suposto “Desvio de função pública”, questionando o uso da credibilidade da instituição financeira para explorar o que foi descrito como “vício popular”. A terceira abordou uma percepção de incoerência com o discurso social do presidente.
“O governo que diz proteger os pobres agora lucra com o vício deles” foi uma frase frequentemente compartilhada nas redes durante o período analisado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou uma reunião com o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, para discutir o anúncio da plataforma de apostas. O encontro deve acontecer após o retorno de Lula da Ásia, previsto para a próxima semana.
O debate digital foi marcado por termos como “hipocrisia,” “vício,” “moral,” “contradição,” “jogatina” e “vergonha,” indicando que a discussão se concentrou mais no aspecto ético do que na justificativa arrecadatória.
Principais críticas
Segundo Alek Maracajá, sócio da Ativaweb, a crítica se concentrou em narrativas que questionam a moralidade da proposta, dominando a esfera digital:
⇒ “Hipocrisia estatal”: Perfis nas redes sociais ironizaram o governo por, supostamente, condenar o jogo privado enquanto criava uma plataforma própria para lucrar com o mesmo setor.
⇒ “Desvio de função pública”: Questionou-se a utilização da credibilidade da Caixa, historicamente ligada a programas sociais e habitação, para explorar o que foi classificado como “vício popular”.
⇒ Incoerência política: A iniciativa foi vista como contraditória ao discurso ético e social do Presidente Lula. Uma frase recorrente que sintetiza a crítica moral foi: “O governo que diz proteger os pobres agora lucra com o vício deles.”
Felipe Crisafulli, sócio do Ambiel Bonilha Advogados e membro da Comissão de Direito dos Jogos, Apostas e do Jogo Responsável da OAB/SP, explica que a Caixa seguiu todos os procedimentos estabelecidos pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). “A Caixa Loterias S.A. demonstrou pré-interesse em ser agente operador de apostas de quota fixa ainda em meados de 2023, antes mesmo dos critérios da regulamentação estarem definidos”, afirma o especialista.
Memes e conteúdos irônicos que exploravam a tese da incoerência geraram maior engajamento. No ambiente polarizado das redes sociais, a percepção sobre a coerência moral do projeto mostrou-se mais relevante para os usuários do que sua fundamentação fiscal.
Crisafulli questiona a posição do presidente: “A fala de Lula é, no mínimo, infeliz e inoportuna: foi o seu Governo quem criou a SPA, a Caixa preencheu todos os requisitos estabelecidos pela Secretaria, e mesmo assim a empresa não deve participar desse setor da economia brasileira?”
A iniciativa da Caixa acabou gerando uma crise de imagem que afetou tanto a instituição quanto o governo federal, com repercussões que ultrapassaram o âmbito econômico da proposta.
O lançamento da operação, previsto para 26 de novembro através das marcas BetCaixa, MegaBet e Xbet Caixa, pode enfrentar obstáculos. Uma possível suspensão da iniciativa geraria um problema financeiro significativo para o banco, que já contratou a Playtech – VS Technolog como provedora da solução de apostas esportivas. Segundo fontes, a multa pelo rompimento do contrato representaria o valor total da operação pelos cinco anos previstos.
Até o momento, não há informações sobre como o governo pretende responder à repercussão negativa ou se haverá reconsideração do projeto diante da rejeição pública, mas auxiliares próximos ao presidente afirmam que “Lula vai mandar cancelar” a iniciativa.


