Boulos se reúne com torcidas organizadas para discutir o futebol após a proibição das bets

Apostas I 19.10.26

Por: Magno José

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Boulos se reúne com torcidas organizadas para discutir o futebol após a proibição das bets
Lista de convidados traz a Anatorg, que apoiou Lula e candidatos do PT, e torcidas contrárias à MP. Resta saber se o governo quer ouvir as arquibancadas ou o palanque

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, recebe nesta segunda-feira (19/10), às 14h, no escritório da Presidência na Avenida Paulista, em São Paulo, representantes de torcidas organizadas de todo o país. Segundo o aviso de pauta do governo, estão em discussão “o cenário do futebol após proibição das BETS” e demandas das torcidas.

O texto oficial fala em cerca de 30 torcidas, mas a lista divulgada traz 23, além da Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), que aparece em primeiro lugar. O encontro acontece a menos de uma semana do segundo turno da eleição presidencial, em que Lula disputa a reeleição.

Candidatos oficiais

A posição de destaque da Anatorg merece atenção, porque a entidade não chega à reunião como observadora neutra. Na campanha deste ano, ela publicou no Instagram uma lista de “candidatos oficiais”. O post anuncia dois nomes, mas traz três: Lula (13), para a Presidência; Juninho (12.095), para deputado estadual em Santa Catarina; e Alex Minduín (1312) ou Alex Sandro Gomes, para deputado federal em São Paulo, que foi ex-presidente da Anatorg.

O presidente da associação, Claudinho do Espírito Santo, ex-presidente da Força Jovem do Vasco, foi além. Apresentou Benedita da Silva (PT) como “candidata da Anatorg e das Torcidas Organizadas” ao Senado pelo Rio, pediu votos para a deputada estadual Zeidan (PT) e publicou foto ao lado do presidente Lula, os dois segurando a bandeira da entidade.

Torcidas têm longa tradição de engajamento político, e isso é legítimo. A questão é outra: uma associação que se apresenta como voz de todas as organizadas do país, e que se alinhou a um dos lados da disputa presidencial, pode ser a interlocutora principal das arquibancadas junto ao governo, às vésperas da votação?

“Após” a proibição

Em setembro, quando clubes e federações divulgaram manifesto contra a restrição às bets, a Anatorg reagiu: acusou as diretorias de priorizar interesses próprios e se ofereceu para levar propostas ao governo. Dias depois, em 25 de setembro, Lula editou a MP 1.394, que proibiu o setor.

A pauta desta segunda não prevê rever essa decisão. O aviso fala do futebol “após” a proibição, como se o debate estivesse encerrado, embora a MP ainda dependa de votação no Congresso e seja questionada no STF.

Arquibancada dividida

O governo, é justo registrar, não chamou apenas aliados. Estão na lista três das oito torcidas do Flamengo que, em 12 de outubro, assinaram nota contra a MP: Raça Rubro-Negra, Flamanguaça e Torcida Jovem do Flamengo. Para elas, a proibição foi abrupta e ameaça as finanças dos clubes.

Resta saber se essas vozes terão peso real numa mesa encabeçada por uma entidade que fez campanha pelo presidente, e numa pauta que já parte da proibição como fato consumado.

O pano de fundo eleitoral

Na sexta-feira (16), Boulos participou da reunião entre Caixa e Corinthians sobre a dívida da Neo Química Arena, com integrantes da Gaviões da Fiel presentes. A iniciativa foi criticada como parte de um pacote de bondades às vésperas do segundo turno. Três dias depois, a Gaviões volta a uma mesa com o ministro.

Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro já declarou apostar na insatisfação das torcidas com o fim das bets para tirar votos de Lula. As organizadas viraram território de disputa eleitoral, e a reunião desta segunda não pode ser lida fora desse contexto.

 

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