Candidatos ao governo de SP querem proibir bets; entenda a proposta

Apostas I 19.08.26

Por: Magno José

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Haddad defende legalização de cassinos e jogos presenciais no Brasil
Candidato do PT, ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad ajudou a regulamentar apostas online no governo Lula, enquanto Tarcísio de Freitas já licenciou jogos lotéricos em SP; ambos criticam o setor (Foto: Reprodução)

Adversários na corrida pelo governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) convergem em um ponto incomum para quem disputa o mesmo cargo: os dois querem o fim das bets no Brasil. Em entrevistas concedidas ao longo desta semana, cada um apresentou sua versão do argumento, ainda que reconhecendo os limites do que um governador estadual pode fazer sobre o tema.

Na noite de segunda-feira (18/8), Tarcísio afirmou que “ou o Brasil acaba com a bet, ou a bet acaba com o Brasil”. Na manhã desta terça-feira (19/8), Haddad foi na mesma direção ao defender que o país precisa “discutir seriamente proibir esse negócio”.

Limite estadual e promessas de campanha

O problema para ambos é que a questão não está em suas mãos. A legislação que permite a exploração de jogos eletrônicos de aposta no país é federal, o que significa que apenas o Congresso Nacional e o presidente da República têm poder para proibir a atividade.

Haddad reconheceu essa limitação, mas fixou uma promessa: se eleito, não licenciará novos jogos do tipo em São Paulo. Tarcísio, por sua vez, abordou o tema sob outro ângulo, sinalizando investimento em saúde mental para tratar o vício em apostas, medida que já consta de sua proposta de governo apresentada à Justiça Eleitoral.

A posição atual de Tarcísio, porém, contrasta com uma decisão tomada em seu governo. Em janeiro deste ano, o governador concedeu uma licença para exploração de jogos lotéricos no estado. O serviço entrou em operação em julho.

A regulamentação que Haddad ajudou a criar

A declaração de Haddad carrega uma tensão própria. Como ex-ministro da Fazenda do governo Lula, ele foi o responsável pela regulamentação das bets no Brasil, o que o coloca em posição de explicar por que ajudou a estruturar um setor que agora defende proibir.

Durante sabatina na Jovem Pan News, na manhã de segunda-feira (18/8), o petista argumentou que a liberação das apostas eletrônicas ocorreu durante o governo Michel Temer (MDB) e que Jair Bolsonaro (PL) deixou a atividade prosperar sem cobrar impostos nem estabelecer regras. “Criança apostava em bet, beneficiário de programas sociais apostava em bet”, disse.

A justificativa para a regulamentação feita pelo Ministério da Fazenda foi, segundo ele, a necessidade de tributar algo que já era legal. “Todo mundo paga imposto, e esse país viveu quatro anos do governo Bolsonaro sem cobrar imposto de bet e deixando correr solto”, declarou.

Ainda assim, Haddad foi direto ao avaliar o histórico do setor: “Eu acho que não vale a pena ter bet, acho que o Temer errou, o Bolsonaro errou”. Sobre sua própria trajetória, ponderou: “Se eu estivesse nos governos anteriores, não teria deixado prosperar os jogos. Eu não acho nenhum jogo bom, eu acho todos ruins. Sobretudo o jogo eletrônico, que tem um algoritmo de vício.”

Sobre o que poderia fazer em âmbito estadual, foi categórico: “Não tem como proibir num estado, se ele está aprovado nacionalmente, ele vai atuar aqui. O que você pode é criar jogos adicionais no estado, e no que depender de mim, eu sou contra.”

A convergência dos dois candidatos sobre as bets revela menos um consenso de valores do que uma pressão eleitoral comum. A discussão sobre se e como o país poderia banir as apostas eletrônicas, no entanto, seguirá sendo travada em Brasília, não em São Paulo.

 

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