Centrão quer Ministério do Esporte com jogos eletrônicos e apostas

Para tornar mais atraente o Ministério do Esporte, parlamentares querem criar no órgão a atribuição de organizar e regulamentar jogos eletrônicos e apostas esportivas.
O governo Lula editou uma Medida Provisória prevendo a taxação de sites de apostas, que o Congresso ainda não transformou em lei. Já o Marco Legal dos Games, sobre jogos eletrônicos, tramita no Senado.
Caso o ministério vá para as mãos do PP ou Republicanos, como quer o Centrão, a ideia é que ele cuide dessas atribuições.
No ano passado, Lira aprovou na Câmara um projeto que legalizava os jogos de azar no Brasil, como bingos, cassinos, jogo do bicho e jogos on-line. O texto previa que 10% da arrecadação financiaria programas e ações na área do esporte. A proposta ainda não começou a tramitar no Senado.
Se a ideia for adiante, porém, a arrecadação dos jogos deve ajudar a financiar um orçamento mais robusto para o Ministério dos Esportes. (Metrópoles – Guilherme Amado)
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Aliados de Ana Moser reagem à ideia de ministra ser remanejada para Autoridade Olímpica
Aliados da ministra do Esporte, Ana Moser, acompanham com preocupação a nova investida do Centrão para desalojá-la do cargo. A ideia ventilada no Planalto para entregar à ex-jogadora o comando da Autoridade Olímpica é vista com desdém. “Para fazer o quê? A função só teria peso se as Olimpíadas ano que vem fossem no Brasil, mas não serão”, indaga um dos interlocutores mais próximos da ministra.
Esse mesmo interlocutor ressalta que é o Comitê Olímpico Brasileiro o responsável pelos esportes de alto rendimento. E até mesmo o abandonado legado das Olimpíadas realizadas em 2016 no país ficou a cargo do Rio de Janeiro.
Funcionários do Ministério do Esporte ressaltam que ‘apesar da resiliência’ que Ana Moser tem demonstrado, desde que passou a ter a cadeira cobiçada, creem que ela não aceitaria a transferência.
“Só se for mesmo por muito amor ao Esporte, porque é um desrespeito. Ela nunca ficou pleiteando cargos para agora ser exposta dessa maneira”, reclama um dos políticos petistas contrários a entrega da vaga ao Republicanos. A própria ministra evita falar do tema.
Quando a demissão de Moser foi cogitada pela primeira vez para acomodar o Republicanos, que tem o deputado Silvio Costa Filho (PE) na cota de ministeriáveis, servidores da Pasta, representantes da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil (Cacob) e da organização Atletas pelo Brasil reagiram.
O barulho foi tamanho e a repercussão tão negativa para o governo que o presidente Lula recuou. Mas depois, com a edição da Medida Provisória das Apostas Esportivas, a possibilidade de ter mais recursos em caixa, a pressão pela pasta foi retomada.
O Centrão quer capilaridade política e o Ministério do Esporte, mesmo sem ter muitos recursos, têm projetos nas cidades. Com as emendas impositivas, é o ambiente propício para promover a imagem de políticos nos municípios. (Coluna do Estadão)
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A batalha pelo Ministério do Esporte
A política brasileira é capaz de produzir fatos de difícil compreensão para os não iniciados.
Por que há tanta cobiça em torno do Ministério do Esporte, até hoje primo pobre na Esplanada, a ponto de nem bem decorridos sete meses da boa gestão de Ana Moser ter tanta gente interessado nele?
Sempre houve um motivo: sua capilaridade para atender objetivos eleitorais como a construção de quadras pelos 5.568 municípios do país. Agora há outro, os 3% do arrecadado em impostos das casas de apostas, enfim regulamentadas.
O que explica a estranha oposição do deputado Felipe Carreras (PSB-PE) a maior rigor na distribuição dos recursos públicos às entidades esportivas, por sinal, relator da CPI da jogatina e dono de empresa patrocinada pela banca, como revelou o repórter José Marques, nesta Folha.
Inexplicável mesmo é a informação publicada na coluna de Lauro Jardim, em O Globo: a CBF quer o PCdoB no Ministério do Esporte.
Convenhamos: nem o condenado Agnelo Queiroz por improbidade administrativa, nem Orlando Silva e nem Aldo Rebelo, o que tinha o traseiro chutado pelo secretário da Fifa, todos então da agremiação chamada de comunista, deixaram boas recordações quando dirigiram, em sequência, o ministério.
Além do mais, o secretário-geral da CBF, Alcino Rocha, executivo experiente e ligado ao PCdoB, há de saber que qualquer reforma ministerial não contemplará a base histórica do governo federal, ao contrário. Apostará o partido numa aliança com o Centrão?
Ana Moser tem contra si o fato de não ser filiada a partido algum, embora tenha a favor o amplo apoio entre os atletas brasileiros e o compromisso público do presidente Lula, que a quer muito bem, de que “o esporte não será usado como moeda de troca”.
Às vésperas das campanhas eleitorais de 2024, o que querem é distribuir verbas para fazer o usual, sem preocupação com verdadeira Política para o esporte como está em curso —com olhos voltados para a saúde e para educação, além de contemplar o esporte de alto rendimento, especialmente em relação às mulheres, origem, enfim, da carreira da ministra, campeoníssima do voleibol.
Como ainda não tem dinheiro, o pouco que possui não poderia mesmo ser empregado para propagandear o que tem feito, do que se aproveitam os oportunistas para sabotar a ministra. (Folha de S.Paulo – Coluna Juca Kfouri)


