CEO do Itaú Unibanco alerta: bets sem moderação comprometem o orçamento das famílias

Apostas I 06.08.26

Por: Magno José

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CEO do Itaú Unibanco alerta: bets sem moderação comprometem o orçamento das famílias
Milton Maluhy Filho defende legalidade do jogo, mas ressalta riscos financeiros e a falta de educação financeira como agravante; banco não toma posição pró ou contra, mas cobra cautela

O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou nesta quinta-feira (6/8) que o uso das casas de apostas esportivas, as bets, deteriora a qualidade de crédito dos consumidores ao longo do tempo. A declaração foi feita durante entrevista ao jornalista Fernando Nakagawa no programa Radar, da GloboNews.

“As bets, quando a gente olha nos nossos modelos de crédito, é muito importante dizer que todo cidadão, todo consumidor que acaba fazendo uso das bets, tem uma qualidade de crédito no tempo pior e a gente consegue observar com dados essa informação”, declarou Maluhy Filho.

Bets e inadimplência

O executivo deixou claro que o banco não questiona a legalidade das apostas, mas afirmou os riscos financeiros concretos identificados nos modelos internos da instituição. Para Maluhy Filho, o problema central é a ausência de moderação e de educação financeira por parte dos apostadores.

“A gente não tem nada contra a decisão de cada indivíduo, quer dizer, tem lei, tem regras claras pra isso, então não é o nosso papel aqui defender ou não, mas é dizer que se não feito com moderação, com os cuidados e muitas vezes também tem uma questão de educação financeira por trás, você acaba comprometendo o orçamento da família”, disse o CEO.

A consequência direta, segundo ele, é o aumento da inadimplência. “Isso gera uma inadimplência maior. É um cuidado que as pessoas precisam ter e todos leem a informação em alguma medida. E a gente sabe que esse é um antecessor para inadimplência importante, se não feito com moderação, como tudo na vida”, completou Maluhy Filho.

Renda e sustentabilidade fiscal

Na mesma entrevista, o presidente do Itaú foi questionado sobre o crescimento da renda das famílias brasileiras. Ele reconheceu a expansão da massa salarial, mas ponderou sobre os limites dessa trajetória.

“A gente não acompanha naturalmente muito de renda. Houve um aumento no período da massa salarial, mas não é sustentável no longo prazo, na medida que essas transferências e o custo pro país dessas transferências tendem a crescer no tempo, se você não fizer uma boa priorização dos gastos”, afirmou.

Para Maluhy Filho, o caminho passa pelo ajuste das contas públicas. O banco se declara favorável à agenda de transferências sociais, mas condiciona sua sustentabilidade a uma gestão fiscal mais rigorosa. “A gente é muito a favor dessa agenda social de transferências, o que a gente precisa é ajustar o fiscal no longo prazo, de fato”, concluiu o executivo.

 

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