China executa 11 membros de família criminosa por fraudes online e cassinos ilegais

Blog do Editor I 01.02.26

Por: Magno José

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China executa 11 membros de família criminosa por fraudes online e cassinos ilegais
Grupo criminoso operava cassinos clandestinos e centros de golpes cibernéticos na fronteira com Mianmar e movimentou R$ 7,48 bilhões em operações clandestinas na fronteira com Mianmar  (Emissora estatal chinesa CCTV/Reprodução)

A China executou 11 integrantes da família Ming que administravam cassinos clandestinos e centros de golpes cibernéticos na fronteira com Mianmar, movimentando mais de 10 bilhões de yuans (R$ 7,48 bilhões) em operações ilegais. As execuções ocorreram na quinta-feira (29/1), conforme divulgado pela mídia estatal chinesa.

Os executados foram condenados em setembro de 2025 por diversos crimes, incluindo homicídio, cárcere privado e operação ilegal de casas de jogos. O Supremo Tribunal Popular da China rejeitou os recursos dos condenados em novembro do ano passado.

Pequim intensificou nos últimos anos a repressão a grupos envolvidos em crimes cibernéticos no Sudeste Asiático. Os Ming eram considerados pela mídia estatal chinesa como “membros-chave” de operações fraudulentas em telecomunicações.

O império criminoso da família entrou em colapso em 2023, quando seus membros foram capturados e entregues às autoridades chinesas por milícias étnicas que assumiram o controle de Laukkaing durante um conflito com as forças armadas de Mianmar.

Entre 2015 e 2023, as operações fraudulentas e os cassinos ilegais administrados pelos Ming resultaram na morte de 14 cidadãos chineses e deixaram muitos outros feridos. Além dos 11 executados, mais de 20 outros membros do clã receberam penas que variam de cinco anos de prisão à perpétua.

Os Mings são os primeiros líderes de esquemas de corrupção em Mianmar a serem executados pela China. Cinco integrantes de outra organização criminosa, a família Bai, também foram condenados à morte em novembro, enquanto os julgamentos de outros dois grupos, as famílias Wei e Liu, ainda estão em andamento.

Ming Xuechang, patriarca da família, comandava um dos centros de fraude mais conhecidos da região, a Vila do Tigre Agachado. De acordo com informações do Exército de Mianmar, Xuechang cometeu suicídio em 2023 quando tentava escapar da prisão.

Os Mings ascenderam ao poder em Laukkaing no início dos anos 2000, após a deposição do antigo chefe militar da cidade em uma operação comandada por Min Aung Hlaing, que posteriormente se tornaria o líder do governo de Mianmar após o golpe de 2021.

Laukkaing, cidade na fronteira entre Mianmar e China, foi o principal centro de operações da família Ming. Em 2023, frustrada com a recusa dos militares de Mianmar em interromper os golpes, dos quais o país também obtinha lucros, a China apoiou implicitamente uma ofensiva de uma aliança rebelde no Estado de Shan, que conquistou territórios e tomou o controle de Laukkaing.

O julgamento da família Ming foi realizado sem acesso público, embora mais de 160 pessoas, incluindo familiares das vítimas, tenham recebido autorização para acompanhar a audiência no ano passado. As confissões dos prisioneiros continuam sendo exibidas em documentários da mídia estatal chinesa para demonstrar a determinação das autoridades em eliminar as redes de golpes.

Segundo dados da ONU, centenas de milhares de pessoas foram traficadas para trabalhar em esquemas de fraude online em Mianmar e outros países da região. De acordo com relatos de trabalhadores libertados, os complexos controlados pela família Ming eram caracterizados por um ambiente de extrema violência, com espancamentos e torturas ocorrendo regularmente.

 

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