Clubes da Série A ameaçam paralisar o Brasileirão contra fim das bets

Apostas I 30.09.26

Por: Magno José

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Dirigentes buscam reverter medida provisória do governo que baniu casas de apostas esportivas, principais patrocinadoras do futebol nacional

Dirigentes de alguns dos principais clubes da elite do futebol brasileiro discutem a paralisação do Campeonato Brasileiro como forma de pressionar o governo federal a rever a medida provisória que baniu as casas de apostas esportivas no país. A ameaça, considerada extrema pelos próprios cartolas, foi levantada nos últimos dias em conversas entre dirigentes, segundo a Folha de S. Paulo.

A última vez que o Brasileirão ficou paralisado foi entre março e agosto de 2020, durante o auge da pandemia de Covid-19. A mobilização atual surge em resposta à MP assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que proibiu a operação das bets no Brasil; as apostas esportivas se tornaram, nos últimos anos, as maiores patrocinadoras do futebol nacional.

Reunião cancelada e boicote em pauta

A ideia de parar o Brasileiro começou a circular durante conversas entre dirigentes na véspera de uma reunião convocada pelo governo federal e intermediada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) a pedido do Planalto. O encontro estava marcado para esta terça-feira (29/9), mas foi cancelado diante do risco de boicote dos clubes. A ausência seria a primeira sinalização formal de pressão ao governo.

Além da paralisação, os clubes pleiteiam um período de transição antes do encerramento definitivo das operações das bets. O argumento é que a suspensão abrupta compromete não apenas o orçamento de 2026, mas também os compromissos financeiros previstos para 2027. A proposta de uma linha de crédito com juros mais baixos, apresentada até agora pelo governo como solução, é considerada insuficiente pelos dirigentes.

Em 2025, o patrocínio somado das bets aos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro chegou a cerca de R$ 1,03 bilhão, crescimento de aproximadamente 66% em relação aos R$ 618 milhões aportados pelo setor no ano anterior, de acordo com levantamento da consultoria Convocados.

Lula defende o fim das bets

Na segunda-feira (28/9), ao sancionar um projeto com diretrizes para o desenvolvimento do futebol feminino no Brasil, Lula voltou a defender a extinção das bets. “Esse negócio da gente ter acabado com as bets não traz nenhum prejuízo para o futebol”, declarou o presidente, acrescentando que “os melhores momentos da história do futebol brasileiro, não existia a bets”.

CBF pressionada a se posicionar

A ameaça de paralisação também tem como alvo a CBF. Os clubes cobram que a entidade assuma posição ativa no debate, algo que ela tem evitado. Nos últimos dias, a confederação se limitou a dizer que não iria se manifestar sobre a MP; na terça-feira (29/9), procurada novamente, manteve a mesma postura. A CBF é diretamente afetada pela medida provisória, já que mantém contrato com a plataforma de apostas Betano.

A entidade havia informado previamente que foi acionada pelo governo federal para intermediar a discussão com times das Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro. A escolha da CBF como interlocutora ocorre em um momento em que a atual cúpula da confederação reúne dirigentes com vínculos diretos com a política. Entre os oito vice-presidentes está Gustavo Dias Henrique, responsável pela articulação política da entidade e primeiro suplente de Renan Calheiros (MDB) na disputa pelo Senado por Alagoas.

Nos bastidores, Francisco Schertel Mendes também figura entre os nomes apontados como influentes na gestão atual. Filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, ele ocupa a vice-presidência da FMF (Federação Mato-Grossense de Futebol) e integra a assembleia da CBF.

 

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