Compulsão pelo jogo exige tratamento.
Se tivesse desistido da recuperação na primeira recaída, a ex-jogadora compulsiva A. não estaria feliz da vida e crente que desta vez, a 12ª, é para valer e que nunca mais fará parte de uma rodada de bingo.
Como explicam membros do Grupo de Jogadores Anônimos (J.A.), recair não faz parte do tratamento, mas da doença. ‘‘A compulsão pelo jogo é mais forte do que você. E é preciso ser muito persistente para vencer. Só quando há a consciência de que somos impotentes perante o jogo é que as coisas melhoram’’, explica o ex-jogador I.
A integrante A. afirma que foi compulsiva por seis anos. Há dois, tentava em idas e vindas se livrar do vício. ‘‘Não jogo há três meses e dessa vez não volto mais. Estou torcendo para os bingos reabrirem, pois aí vou poder provar que estou boa. O caminho ideal é voltar para o grupo sem constrangimento, sabendo que todos estão te esperando’’.
Segundo a ex-jogadora, uma tela de quadro que ela tentava terminar de bordar havia sete anos foi a prova da recuperação. ‘‘Ocupei meu tempo livre com coisas saudáveis e finalmente acabei o bordado. Fiquei tão feliz que me empolguei a dar continuidade ao tratamento com seriedade. Para quem acha que não tem mais como se recuperar, vale meu depoimento: Ficava até 25 horas seguidas na máquina de bingo e me salvei’’.
Mais do que dinheiro, os compulsivos afirmam que perdem a moral e o respeito perante a família. ‘‘Tinha um bom padrão de vida e perdi tudo. A sorte é que meu marido foi compreensivo. Hoje, estou consciente de que não posso jogar socialmente’’.
Como eles detalham, só quando chega ao chamado fundo do poço é que o jogador vai procurar ajuda. ‘‘O jogo é um dos vícios mais difíceis, porque é aceito pela sociedade. Diferente da droga ou da bebida’’.
Eles destacam três pontos fundamentais para quem deseja se recuperar: acreditar em si mesmo, ter apoio do grupo e da família e acreditar que existe uma força superior. ‘‘Das pessoas que chegam aqui, 80% desistem, 15% recaem no vício e depois voltam para o grupo, e 5% se recuperam’’, diz I.
Pessoas interessadas em fazer parte do J.A. podem participar das reuniões, realizadas as segundas, terças e quartas, às 20 horas; e aos sábados, às 17 horas. O endereço é Rua Paraíba, 110, na Pompéia. O telefone para contato é o 3284-1433. Na internet, o site é: www.jogadores anonimos.org.br.A Tribuna de Santos (SP)


