Consulta do Procon-SP registra os principais problemas enfrentados pelos apostadores de São Paulo

Apostas I 26.02.26

Por: Magno José

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Procon-SP defende protocolo para enfrentar efeitos nocivos de jogos e apostas on-line
Entre os 2.724 entrevistados apenas 13,03% (355) apostam online. Influência da publicidade e dificuldades em sacar os prêmios também marcam comportamento dos apostadores. 42,99% (95) dos apostadores informaram recusa das plataformas em efetuar o pagamento, que indica forte presença de sites ilegais

O levantamento realizado pelo Procon-SP revela que quatro em cada dez apostadores se endividaram após o início do relacionamento com sites de jogos e apostas on-line — as bets (39,7%). O indicador faz parte da segunda edição da pesquisa comportamental sobre o tema, respondida por 2.724 consumidores entre 4 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026. Entre os entrevistados apenas 13,03% (355) apostam online.

Perguntados qual a preferência de modalidade, os 355 entrevistados informaram que jogam online 35,49% (126), apostas esportivas 28,73% (102) e 35,77% (127) em ambos.

Como na edição de 2025, entre os apostadores, mantém-se o perfil de geralmente ser: público masculino (61,8%), de até 44 anos (82,5%), com renda de até dois salários mínimos (38,6%). A diferença entre os levantamentos é que houve um aumento no valor das apostas: 30,1%, em média, consome mais de R$ 1.000,00 por mês.

Outro destaque é sobre o perfil dos apostadores que informam já ter se endividado em razão de jogos e apostas: mulheres (53,9%) de até 30 anos (44,7%) com renda de até dois salários mínimos (46,8%). “Esse é um dos pontos mais expressivos em comparação com 2025 e reforça a importância de um monitoramento contínuo deste mercado e de indicadores sobre essas relações de consumo para proteger o cidadão”, argumenta a diretora Adjunta de Estudos e Pesquisas do Procon-SP, Elaine da Cruz

Também são abordados no relatório o recebimento de ofertas nas redes sociais e/ou celular; o hábito de jogar e/ou apostar; o valor mensal gasto com jogos e apostas; o comprometimento da renda; a influência da publicidade; problemas gerados pelas empresas; e o endividamento ocasionado pelos jogos e apostas online.

Maioria apostam em sites ilegais

A pesquisa comprova que a maioria dos apostadores ainda aposta em sites ilegais. Entre os três principais problemas apontados pelos consumidores foram: 42,99% (95) recusa da empresa em efetuar o pagamento do prêmio; 23,53% (52) envio constante de mensagens incentivando a jogar/apostar e 15,84% (35) regras do jogo, aposta e do valor do prêmio são confusas. Com certeza os 42,99% (95) que tiveram problemas em sacar seus prêmios não apostaram em plataformas licenciadas pela Secretária de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Principais resultados

O levantamento apontou sinais de alerta no comportamento do público que responder realizar apostas:

⇒ 56,6% dizem se sentir influenciados por propagandas com celebridades ao realizar apostas;

⇒ 62,2% relatam já ter enfrentado problemas com a empresa que oferta jogos e apostas, sendo o principal a recusa em pagar o prêmio;

⇒ 52,4% alegam já ter comprometido boa parte da renda, utilizando dinheiro aplicado ou empréstimo para jogar.


Veja o relatório completo.

 


Dados comparativos

De caráter educativo, o levantamento servirá de base para orientações ao público e para futuras ações do órgão, incluindo iniciativas de fiscalização, prevenção ao endividamento e educação para o consumo responsável. Vale ressaltar que o tema gerou repercussão espontânea, à medida que houve um aumento de cerca de 78% respondentes entre as edições anuais.

Apesar da criação de arcabouço regulatório em 2025, o comparativo entre as pesquisas neste período revela a persistência e aumento em alguns indicadores de risco. Por exemplo, as decisões dos entrevistados em jogar e/ou apostar seguem fortemente influenciadas por publicidades com celebridades — índice que passou de 52% em 2025 para 57% em 2026.

Neste levantamento, também foi questionado se os entrevistados que declararam saber que o Procon-SP atua nesse tipo de demanda conhecem os canais de atendimento do órgão. A grande maioria indicou o atendimento online como principal forma de acesso.

Regras e orientações

A legislação assegura aos apostadores todos os direitos dos consumidores previstos no Código de Defesa do Consumidor; como direito à informação adequada sobre como jogar, as condições e os requisitos para acerto de prognóstico, resgate dos valores, aferição do prêmio; sobre os riscos de perda dos valores das apostas e à ludopatia.

É importante que o consumidor tenha conhecimento de todas as regras como também dos riscos de cada modalidade de jogos e apostas ofertadas e autorizadas a trabalhar no mercado. Uma cartilha sobre o tema foi desenvolvida pelo Procon-SP em parceria com a OAB e está disponível em ambos os sites institucionais.

Palestra temática dia 26

Também desde o segundo semestre de 2025, o Procon-SP ministra palestra gratuita à população — intercalando entre público presencial e virtual — sobre Jogos e Apostas, dentro do rol de demais palestras mensais da Fundação. O conteúdo aborda os principais problemas relatados por consumidores que apostam, com base nas reclamações recebidas pelo órgão estadual, destacando os riscos envolvidos no uso dessas plataformas.

O objetivo é de que os participantes estejam mais preparados para identificar e evitar armadilhas, reconhecer os riscos ocultos e refletir criticamente sobre os impactos dessa prática cheia de incertezas e prejuízos potenciais — que não se configura como investimento — em sua vida financeira e emocional. A próxima edição será no dia 26, às 14 horas, pelo Microsoft Teams, com inscrições prévias até o dia anterior em: https://www.procon.sp.gov.br/palestras/.

 

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