Contas ligadas a Trump impulsionam Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil em anúncios pagos

Apostas I 23.09.26

Por: Magno José

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Contas ligadas a Trump impulsionam Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil em anúncios pagos
O senador Flávio Bolsonaro ao lado do presidente americano Donald Trump em visita à Casa Branca em maio (Foto: Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro)

Contas estrangeiras ligadas ao ecossistema político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicaram conteúdo pago para promover a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência do Brasil, com foco na valorização do senador nas apostas da plataforma americana Polymarket. A campanha de Flávio afirma não ter conhecimento sobre os anúncios.

A Folha de S.Paulo contabilizou pelo menos 11 usuários da rede social X que publicaram propaganda paga sobre o tema entre a sexta-feira (18/9) e a segunda-feira (21/9). Os posts destacam a ascensão de Flávio Bolsonaro nas cotações da Polymarket, empresa de apostas bloqueada no Brasil desde abril de 2026. Abaixo de cada publicação, aparece o rótulo “parceria paga”, sem identificação do responsável pelos pagamentos.

A lei eleitoral brasileira proíbe o impulsionamento de propaganda para candidatos por terceiros e veda doações de entidades estrangeiras, seja em dinheiro ou em valores estimáveis.

Flávio Bolsonaro lidera previsões em mercados de previsões

Quem divulgou os anúncios

As contas envolvidas se dividem em dois grupos: influenciadores alinhados ao movimento trumpista Make America Great Again e perfis com estética noticiosa que cobrem temas geopolíticos, como os conflitos na Faixa de Gaza e na Ucrânia.

Entre os que publicaram a propaganda está o ex-deputado republicano Matt Gaetz, que tem 3,4 milhões de seguidores no X. Aliado de Trump, ele representou a Flórida na Câmara dos Representantes de 2017 a 2024 e chegou a ser indicado pelo presidente para o cargo de procurador-geral dos EUA; retirou sua candidatura durante o avanço de investigações por crimes sexuais, acusações que negou. “Flávio pode salvar o Brasil. Este é o grande prêmio nas Américas”, disse Gaetz nesta segunda-feira (21/9).

O influenciador americano George Behizy, com 639 mil seguidores, entre eles o próprio Flávio Bolsonaro, também participou da campanha. Alinhado ao trumpismo, Behizy é conhecido por ter disseminado desinformação sobre supostas fraudes nas eleições americanas. No anúncio pago publicado neste domingo (20/9), escreveu: “Tudo está prestes a mudar no hemisfério Ocidental. Flávio Bolsonaro continua em alta, apesar de todas as mentiras de última hora espalhadas pelo governo comunista de Lula. Na verdade, Lula agora está tentando subornar os eleitores com benefícios sociais caso vença a eleição.”

Behizy já havia veiculado anúncio semelhante em março de 2026, quando Flávio Bolsonaro aparecia ligeiramente à frente de Lula (PT) nas cotações da Polymarket. Além dos conteúdos patrocinados, o influenciador também publicou materiais favoráveis ao senador sem o rótulo de parceria paga.

A conta UHN Plus, com 1,2 milhão de seguidores, também divulgou os anúncios. O perfil opera a partir da Flórida, publica conteúdos de direita em espanhol e afirma no X ser “movida” pela Polymarket. A empresa por trás do perfil está registrada no estado sob o nome “UHN Plus Media Network, INC”. Seu vice-presidente é o espanhol Javier Negre, ex-sócio do consultor político argentino Fernando Cerimedo no veículo de desinformação “La Derecha Diario”.

Conexões com o entorno bolsonarista

Cerimedo é amigo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e tem histórico de atuação em campanhas da direita na América Latina; chegou a admitir o uso de robôs nas redes sociais. Em agosto de 2026, foi preso na Bolívia, país onde reside, acusado de ter ordenado o assassinato de sua então companheira, Nadia Beller. Ela sobreviveu e declarou à Folha de S.Paulo que o argentino afirmou que lutaria pela eleição de Flávio, que se encontrou com Eduardo Bolsonaro no início de agosto e que trabalhou na campanha eleitoral de Jair Bolsonaro em 2022.

A Polymarket e seus vínculos com Trump

A Polymarket é uma plataforma de mercado de previsão, na qual usuários apostam no desfecho de eventos futuros, incluindo eleições. O site de notícias Politico noticiou em junho de 2026 que a empresa pagou ao menos US$ 350 mil (R$ 1,8 milhão) a influenciadores e criadores de conteúdo entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026.

Donald Trump Jr., filho do presidente americano, é conselheiro da Polymarket. A empresa de capital de risco 1789 Capital, da qual Trump Jr. é sócio, investiu cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) na plataforma, segundo o The New York Times. Em agosto de 2026, os senadores americanos Alex Padilla e Mark Warner enviaram carta à Polymarket e à Kalshi, outra empresa do setor, manifestando preocupação com o pagamento a influenciadores que disseminam informações falsas, “incluindo alegações de que as eleições federais dos EUA estariam sujeitas a fraudes generalizadas”.

O fundador da Polymarket, Shayne Coplan, tentou promover a empresa junto aos partidos Republicano e Democrata, mas obteve mais sucesso com o primeiro, segundo o The Wall Street Journal. Na convenção nacional republicana de 2024, Coplan sentou-se ao lado de Trump Jr. e de Omeed Malik, fundador da 1789 Capital. Após a vitória de Trump, o dono da Polymarket participou de um encontro da rede de doadores Rockbridge, que tem entre seus fundadores o vice-presidente americano J.D. Vance.

Em maio de 2026, foi constituída no estado do Wyoming a Rockbridge Brazil, conforme revelou o site Amado Mundo. O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirma que empresários brasileiros articularam com a rede americana financiamento para a campanha de Flávio Bolsonaro, mas ainda não apresentou evidências materiais que comprovem a denúncia.

 

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