Cresce participação feminina nas apostas online e especialistas alertam para Jogo Responsável

Blog do Editor I 25.03.26

Por: Magno José

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Cresce participação feminina nas apostas online e especialistas alertam para Jogo Responsável
No mês das mulheres, mercado vê mudança considerável no setor, trazendo um novo perfil de apostadores (Foto: FreePik)

No mês em que se celebra o protagonismo feminino, uma transformação silenciosa também ganha força no universo das apostas online. Cada vez mais presentes nas plataformas digitais, as mulheres ampliam sua participação nesse mercado e passam a influenciar o perfil do setor, trazendo um comportamento mais analítico e cauteloso na hora de apostar.

Na pesquisa exclusiva da Rede Globo em parceria com a empresa de pesquisa Offerwise revelou que elas já representam 34% do público no mercado de apostas online. Outro levantamento, conduzido pelo Instituto Locomotiva, aponta que 62% dos novos apostadores no Brasil são mulheres, evidenciando que a presença feminina segue em expansão. Estudos ainda mais recentes realizados pela Associação de Mulheres da Indústria de Gaming (AMIG) sinalizam uma reconfiguração em um setor historicamente associado ao público masculino.

Dados da EBAC (Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo), especializada em prevenção e suporte a jogadores com sinais de transtorno do jogo, mostram que esse crescimento também vem acompanhado de diferenças no comportamento dentro das plataformas.

Segundo Cristiano Costa, psicólogo e diretor de conhecimento da EBAC, as mulheres costumam apresentar uma postura mais cautelosa ao apostar, ainda que, em alguns casos, permaneçam mais tempo conectadas às plataformas. De acordo com o especialista, enquanto os homens tendem a demonstrar um comportamento mais impulsivo, realizando apostas de valores mais elevados à procura de alavancagens financeiras, o público feminino geralmente se preocupa mais com o controle de gastos, sendo mais negligentes no aspecto da quantidade de tempo utilizado para apostar.

“Há uma diferença no tempo de permanência das mulheres nas plataformas. Enquanto homens buscam resultados financeiros imediatos, aumentando o risco de perdas, elas tendem a adotar um perfil mais moderado quanto aos gastos, contudo, é comum a busca por uma forma de escapar dos problemas do cotidiano, o que pode indicar um perfil de risco relacionado a comportamentos ansiosos ou depressivos”, esclarece.

Apesar de estudos indicarem uma postura mais moderada por parte do público feminino, especialistas reforçam a importância de ampliar as estratégias de prevenção ao jogo compulsivo. O Transtorno do Jogo, popularmente conhecido como ludopatia, é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um problema de saúde mental e pode gerar impactos financeiros, psicológicos e sociais quando o comportamento de apostar foge ao controle.

Por isso, a orientação é adotar algumas medidas preventivas, como estabelecer limites de orçamento e de tempo antes de jogar, evitar apostas por impulso e buscar apoio de pessoas de confiança ou de especialistas em saúde mental caso o hábito comece a gerar prejuízos pessoais ou financeiros.

Nos últimos anos, o debate sobre Jogo Responsável tem ganhado cada vez mais relevância na indústria global de apostas, com iniciativas voltadas à educação dos usuários por perfil de risco, incentivo do uso das ferramentas de autocontrole e parcerias com instituições especializadas.

Neste Mês das Mulheres, a data também convida à reflexão sobre a importância de construir um ambiente digital cada vez mais seguro, responsável e transparente, acompanhando a evolução do setor e o crescimento da presença feminina no universo das apostas online.

 

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