Empresas de apostas investem R$ 1,44 bilhão em publicidade na TV aberta, TV paga e rádio em 2025

As empresas de apostas esportivas destinaram R$ 1,44 bilhão para publicidade em TV aberta, TV paga e rádio no Brasil ao longo de 2025. O levantamento, divulgado na quarta-feira (8), foi realizado pela Tunad e mostra que a televisão aberta recebeu aproximadamente 85% desse montante, consolidando-se como o principal canal de comunicação do setor. O relatório “Investimentos Bets 2025 – Análise Estratégica do Setor de Apostas Esportivas” confirma que a TV aberta se estabeleceu como a base estrutural de alcance para o segmento.
BetMGM, Betano e Betnacional lideraram os investimentos publicitários, respondendo por cerca de 62% do total aplicado em TV e rádio no ano passado. A distribuição dos recursos seguiu um padrão claramente vinculado ao calendário esportivo, com variações significativas entre os meses.
O mês de janeiro registrou o menor volume de investimentos, totalizando R$ 66,7 milhões. Em contraste, junho apresentou o pico anual, com R$ 164,5 milhões, o que representa uma variação de 146,7% entre o menor e o maior patamar de investimento no período. Esse movimento coincide com as fases decisivas de campeonatos nacionais e internacionais.
As três principais empresas adotaram estratégias distintas durante 2025. A BetMGM, que ocupou a primeira posição no ranking anual, intensificou seus investimentos a partir de abril e dominou o segundo semestre. A Betano, segunda colocada, concentrou seus recursos em junho, registrando o maior pico mensal do mercado. A Betnacional, terceira maior anunciante, manteve maior regularidade nos aportes ao longo do ano, adotando uma estratégia de maior estabilidade.
A análise do mix de mídia demonstrou que a TV aberta não apenas recebeu a maior parte dos recursos, mas também determinou o comportamento geral da curva de investimentos do setor. A TV paga mostrou maior oscilação, com seu ponto máximo em dezembro, período que coincidiu com finais de campeonatos e campanhas de encerramento de temporada, funcionando como uma mídia tática.
O rádio apresentou maior relevância no primeiro semestre, mas experimentou uma redução de aproximadamente 70% na segunda metade do ano, indicando uma mudança na priorização dos canais dentro do planejamento do setor. Esta retração estrutural sugere uma revisão estratégica e a priorização de canais com maior alcance e mensuração imediata.
Além das três líderes, outras empresas como Superbet e BandBet disputaram posições intermediárias com diferenças marginais no acumulado anual. Essa competição intensificou-se principalmente entre o segundo e terceiro trimestres de 2025.
O estudo não incluiu dados sobre investimentos em mídia digital ou outros canais de comunicação além de TV aberta, TV paga e rádio. O montante total analisado engloba também investimentos em streaming, incluindo a plataforma do Cazé.
Ricardo Monteiro, CSO e COO da Tunad, afirmou que esse padrão reflete uma estratégia já esperada: “investimento forte e constante em mídia tradicional, com baixa sazonalidade, acompanhando os campeonatos esportivos — especialmente o futebol — como forma de sustentar lembrança de marca e competitividade ao longo do ano.” Para o próximo ciclo, Monteiro recomenda a manutenção da presença em TV aberta e sugere “rever o uso de rádio que por estar com baixo clutter pode se tornar uma oportunidade de alto ROI aos que entrarem primeiro”.
A previsibilidade da curva anual de investimentos, a centralidade da TV aberta e a reorganização do mix de mídia indicam um planejamento orientado por continuidade e eficiência competitiva no mercado brasileiro de apostas esportivas. O relatório conclui que o setor caminha para um planejamento mais estruturado, focado em previsibilidade e domínio de território midiático, em vez de ações apenas oportunistas.


