Especialistas apontam necessidade de marco regulatório para loterias municipais no Brasil

Apostas I 23.10.25

Por: Magno José

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Especialistas apontam necessidade de marco regulatório para loterias municipais no Brasil 1
Presidente da Analome afirma que jogo legal se transforma em benefícios para sociedade com pagamento de impostos. Deputado Newton Cardoso Jr. defende regulamentação equilibrada que respeite pacto federativo

Representantes do setor de jogos e autoridades discutiram a operação de loterias por municípios brasileiros durante o painel “Loterias municipais e a necessidade de um marco legal” no BiS (Brazilian iGaming Summit) Brasília. O evento, realizado nesta quarta-feira (22), foi promovido pelo BiS SiGMA em parceria com o Poder360 e reuniu especialistas que analisaram como a regulamentação dessas atividades pode fortalecer a autonomia financeira das prefeituras.

O debate abordou aspectos constitucionais e práticos da implementação de loterias municipais no Brasil. Paulo Horn, presidente da Comissão Especial de Jogos Esportivos, Lotéricos e Entretenimento da OAB-RJ, esclareceu a base legal para essas operações.

“Não é competência privativa da União operar loterias. O próprio STF entende que não pode haver distinção entre entes federados”, declarou Horn.

Os participantes destacaram que muitas prefeituras enfrentam restrições orçamentárias e dependem de transferências de outros níveis de governo. O deputado Newton Cardoso Jr. (MDB-MG) enfatizou essa realidade durante sua participação no evento.

“Os municípios precisam, sim, de uma proteção para garantir sua autonomia. Muitos só conseguem investir por meio de emendas”, afirmou o parlamentar.

De acordo com Camilo Brito, presidente da Analome (Associação Nacional de Loterias Municipais e Estaduais), atualmente 70 municípios já operam suas próprias loterias no país. Ele defendeu que essas operações podem gerar recursos para investimentos locais.

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“O jogo legal se transforma em benefícios para a sociedade, com o pagamento de impostos que permitem, por exemplo, a compra de ambulâncias e equipamentos hospitalares”, disse Brito.

Os especialistas argumentaram que a fiscalização do setor exige cooperação entre diferentes esferas governamentais. Horn apontou limitações na capacidade de supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).

“Ninguém vai achar que a SPA tem condições sozinha de controlar o jogo. Vai enxugar gelo. A gente tem que juntar forças, estados, municípios e União, para criar um marco legal”, declarou.

O deputado Newton Cardoso Jr. ressaltou a importância de uma regulamentação equilibrada. “É importante permitir ao município flexibilidade de suas atividades de forma a respeitar o pacto federativo plenamente, mas entendendo quais são os desafios tecnológicos para que isso se viabilize sem que a dose passe a ser um veneno, e não um remédio”, afirmou.

Brito também destacou o papel das loterias municipais no combate às apostas ilegais. “A única forma de tirar o jogo ilegal das ruas é por meio da loteria municipal”, disse o presidente da Analome.

Ana Helena Pamplona, diretora jurídica da Abrajogo, reconheceu a existência de desafios no setor. “A gente reconhece que tem alguns problemas, mas a gente quer cuidar deles”, afirmou.

O BiS Brasília foi um evento inédito do setor de jogos e apostas na capital federal, reunindo especialistas, parlamentares e representantes de associações para discutir temas relacionados à regulamentação e operação de jogos no país.”

 

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