FactCheck BNLData: balanço do governo sobre as bets esconde mais do que informa

O balanço do governo sobre as bets, divulgado em release pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República – SECOM no sábado (10), trata da restituição dos saldos dos apostadores e do combate às plataformas ilegais, mas traz números que não se explicam e omite os que realmente medem resultado.
O bilhão que sumiu
Até 5 de outubro, o governo informava cerca de R$ 1,2 bilhão em saldos a devolver. Cinco dias depois, o valor é de R$ 159 milhões, uma queda de 87%. A única explicação é a “atualização dos dados pelas empresas”. O texto não diz se o dinheiro foi sacado, se o número anterior estava errado ou se havia dupla contagem. O valor maior foi o usado pelo ministro Dario Durigan no balanço de 6 de outubro.
Devolução de centavos
Os R$ 159 milhões estão distribuídos por 70,5 milhões de contas de 22,5 milhões de apostadores. A média é de R$ 2,26 por conta e R$ 7,07 por apostador. Segundo o próprio release, 90% das contas (63,4 milhões) têm menos de R$ 1. O governo não informa quanto custará processar dezenas de milhões de transferências de centavos, nem quem pagará a conta.
Oito empresas sem nome
A AGU acionará oito empresas que não enviaram dados aos bancos. O release não as identifica nem esclarece se os saldos delas estão incluídos nos R$ 159 milhões.
O ilegal acelera
O governo informa 16.627 sites “encaminhados para bloqueio” entre 25 de setembro e 9 de outubro, sem dizer quantos saíram do ar. Desse total, 2.979 foram identificados só nos dias 8 e 9. A média diária passou de 1.050 nos primeiros 13 dias para 1.490 nos dois últimos, um aumento de 42%. O dado confirma o que o setor alertou: a proibição abriu espaço para a oferta clandestina.
Alcance pela metade
Das 3.691 remoções “solicitadas” em redes sociais, 2.534 (69%) são do Facebook e do Instagram, plataformas para as quais o release não apresenta alcance. O Telegram responde por 97% dos 18,9 milhões de usuários citados. O próprio texto admite que o total pode contar a mesma pessoa mais de uma vez.
O que o release não diz
Não há uma linha sobre contas bancárias bloqueadas, valores recuperados, instituições de pagamento punidas, inquéritos ou prisões. Segundo fontes ouvidas pelo BNLData, o valor recuperado não chega a R$ 600 mil. Também não há regras para a fase em que a Caixa Econômica Federal assume a restituição, a partir de 14 de outubro.
O BNLData protocolou neste domingo (11) pedidos via Lei de Acesso à Informação ao Ministério da Fazenda, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e ao Banco Central para obter os dados omitidos.


