Federação Turca de Futebol suspende 149 juízes por suposto envolvimento em escândalo de apostas

A Federação Turca de Futebol suspendeu 149 árbitros e assistentes por sua suposta ligação com escândalo de apostas junto às ligas profissionais de futebol. A entidade informou nesta sexta-feira que decidiu impor sanções de oito a doze meses aos envolvidos, enquanto as investigações continuam contra outros três.
“A reputação do futebol turco é construída sobre a santidade do esforço em campo e a integridade inabalável da justiça. Qualquer ato que traia esses valores não é apenas uma violação das regras, mas uma quebra de confiança”, disse o presidente da federação, Ibrahim Hacsosmanoglu, em um comunicado.
“Investigações recentes revelaram que alguns árbitros tinham ligações com atividades de apostas de uma forma completamente incompatível com o espírito do futebol. Isso não é apenas uma violação, é um abuso que fere consciências e envenena a justiça”, acrescentou.
Hacoosmanoglu comentou que 10 árbitros fizeram apostas em mais de 10.000 partidas cada um ao longo de cinco anos, enquanto alguns fizeram apenas uma aposta. Um árbitro é acusado de ter apostado em 18.227 partidas.
Citando fontes judiciais, o jornal Habertürk informou que investigações também estão em andamento contra clubes e jogadores. Segundo o jornal, cerca de 3.700 jogadores estão sob investigação.
Brasil tem práticas avançadas no combate a apostas ilegais, dizem especialistas
No Brasil, o combate à manipulação tem sido constante. Recentemente, o país formalizou um pedido para fazer parte do acordo da Convenção de Macolin, em Paris, na França. O tratado é o único do esporte mundial de combate, prevenção e punição à manipulação de resultados no esporte. Apenas 50 países fazem parte deste movimento, que passou a vigorar a partir de 2019. Foi ratificada por França, Grécia, Islândia, Itália, Lituânia, Noruega, Portugal, República da Moldávia, Suíça e Ucrânia, e assinada por outros 32 Estados europeus, além de pela Austrália e Marrocos.
“Esses movimentos colocam o Brasil como um dos países que mais tem avançado neste sentido com práticas que inibem de forma quase que automática a ilegalidade. Até mesmo antes da regulamentação, que no País aconteceu em janeiro deste ano, as bets, federações e confederações vêm firmando parcerias sólidas com diferentes órgãos internacionais e de integridade esportiva”, aponta Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio da empresa Betlaw, escritório especializado no mercado de bets.
“Trata-se de um cerco cada vez mais eficiente e que tende a se fortalecer com o tempo”, complemetna Cristiano Caús, sócio responsável pela área de Direito Desportivo do CCLA Advogados.
Para Talita Garcez, sócia do Garcez Advogados e Associados, escritório especializado em Direito Desportivo, o mercado regulado cria uma obrigação das empresas autorizadas de denunciarem possíveis casos de manipulação de resultados. “Isso fez com que muitos casos em todo o mundo e especialmente no Brasil, como do Bruno Henrique, fossem julgados. Se o Brasil não tivesse regulado o mercado de apostas, com todas as empresas atuando sem autorização como era até antes de 2023, seria muito mais difícil identificar esse caso”, exemplifica.


