Fim das bets: ‘Clubes não conseguem se livrar dos custos da noite para o dia’, diz especialista

O futebol brasileiro enfrenta uma semana de mudanças estruturais com impacto direto nas finanças dos clubes. A proibição das casas de apostas esportivas como patrocinadoras e a limitação progressiva de jogadores estrangeiros nos elencos colocam o setor diante de um cenário de reconfiguração de receitas sem precedentes recentes.
Segundo análise de Moisés Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças do esporte, publicada na Coluna Marcel Rizzo no Estadão, os efeitos da saída das bets vão muito além dos contratos diretos entre clubes e casas de apostas. Detentores de direitos, premiações e novos patrocínios também devem ser afetados, em um movimento que tende a pressionar os valores praticados no mercado.
Um dos pontos críticos levantados por Assayag é o descasamento entre receitas e custos operacionais dos clubes. As bets hoje são as principais financiadoras do futebol no país, e sua saída não permite ajuste imediato de elenco. “E o custo dos clubes? Ele não consegue se livrar daquele elenco da noite pro dia. Ele tem compromissos assumidos aqui com uma expectativa de receita. Da noite para a noite ele não tem mais a receita, mas ele tá preso ao custo”, declarou o especialista.
Restrição de estrangeiros
A limitação de jogadores estrangeiros, cuja presença nos elencos deve cair dos nove permitidos atualmente para no máximo cinco em 2030, foi vista com simpatia por Assayag. Na avaliação dele, a medida pode incentivar os clubes a investirem mais nas categorias de base, objetivo declarado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ao definir a regra. Ele afirmou, porém, que medidas complementares são necessárias para que a mudança produza os resultados esperados.
“De cara reativar e incentivar muito o campeonato sub-23, voltar a ter aquele campeonato de aspirantes que já teve. E acho que as medidas têm que ser no sentido de dar incentivos a usarem esses jogadores da base. Até incentivo financeiro em alguma medida”, declarou Assayag.
Outro efeito colateral esperado da proibição das bets é a pressão sobre os valores de patrocínio. Com vários clubes buscando simultaneamente novos parceiros comerciais para preencher o espaço deixado pelas casas de apostas, a tendência apontada pelo especialista é de redução nos valores praticados nos novos acordos.


