Flávio Bolsonaro lidera previsões em mercados de previsões

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lidera as estimativas de probabilidade de vitória nas eleições presidenciais de outubro nas plataformas digitais de mercados de previsões Kalshi e Polymarket. Os percentuais foram divulgados na tarde deste domingo (20/9) e atualizados até a noite do mesmo dia, segundo a CNN Brasil.
Os dados, porém, têm limitações importantes. As plataformas não seguem critérios metodológicos de pesquisas eleitorais e a operação desse tipo de mercado preditivo é proibida no Brasil por resolução do CMN (Conselho Monetário Nacional).
Na Kalshi, Flávio aparece com 59% de probabilidade de se eleger presidente. O atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), registra 42% de chance na mesma plataforma. Os demais candidatos aparecem com percentuais marginais: Renan Santos, do Missão, tem 0,8%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) somam, cada um, menos de 0,1%.
No Polymarket, os números são semelhantes. Flávio aparece com 58% de chance de vencer, e Lula com 42%. Entre os demais, Renan Santos registra 1%, e Caiado, Augusto Cury (Avante) e Zema ficam todos abaixo de 1%.

O que medem essas plataformas
A Kalshi e o Polymarket são plataformas internacionais de “mercado de previsões” em que apostadores negociam com dinheiro real, geralmente em criptomoedas, sobre a probabilidade de eventos futuros. No caso eleitoral, os participantes compram e vendem contratos atrelados a resultados políticos, e os preços desses ativos variam conforme a demanda.
Na prática, os percentuais exibidos funcionam como uma estimativa coletiva: quanto mais usuários compram um determinado resultado, maior tende a ser o seu valor no mercado. Os números não refletem intenção de voto declarada e não seguem critérios como amostragem representativa da população, ao contrário das pesquisas eleitorais convencionais.
Proibição no Brasil
Em abril, o CMN aprovou uma resolução que proíbe a oferta e a negociação de apostas atreladas a temas políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento no Brasil praticadas por plataformas de mercados preditivos. A norma dispõe sobre a organização e o funcionamento do mercado de derivativos no país.
A regra não se aplica às bets convencionais, que operam com pagamento de prêmio fixo em caso de acerto. No modelo das plataformas como Kalshi e Polymarket, os operadores vendem contratos do tipo “sim ou não” e o comprador recebe um prêmio caso a aposta se realize. A resolução impede essas plataformas de oferecerem apostas sobre eleições, jogos, reality shows e outros acontecimentos de natureza não econômica, a critério da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).


