Flávio rebate defesa de Lula de ‘fim das bets’ e diz que presidente é culpado pelo endividamento: ‘Deixou correr frouxo’

Flávio Bolsonaro (PL) atacou nesta quarta-feira (23/9) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o petista intensificar o discurso contra as apostas esportivas on-line. O candidato do PL responsabilizou Lula pelo crescimento das bets no país e pelo endividamento das famílias, afirmando que o presidente “deixou correr frouxo” a expansão do setor.
A declaração foi feita durante uma live em São Paulo, ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB), conforme apurou o Globo Online. No evento, Flávio afirmou ser hoje contrário aos jogos de qualquer natureza e acusou o governo de ter liberado e regulamentado os cassinos virtuais.
“O problema são os cassinos on-line que este governo liberou. Eu votei contra a liberação dos jogos, a bancada do PT toda votou a favor. E aí o Lula fica se fingindo de besta, mas liberou e regulamentou”, disse o senador.
Em outro trecho, Flávio relacionou o endividamento das famílias diretamente à omissão do governo: “Lula não combate as bets ilegais, não fiscaliza as legais. Deixou correr frouxo e todo mundo se endividou. Essa dívida que você tem com o Tigrinho é culpa do Lula e agora ele é muito cara de pau de dizer que vai acabar com isso.”
O candidato também usou o Fortune Tiger, jogo de cassino virtual conhecido como “Jogo do Tigrinho”, para ironizar o presidente. “Se você pegar a quantidade de apostadores no final do governo Bolsonaro e comparar agora, é quase o dobro. Ele fez dois males que são filhos dele; um é o Lulinha e o outro é o Tigrinho”, disse.
Virada de posição
A postura atual de Flávio contrasta com a que o senador adotava no início do governo de Jair Bolsonaro. Em janeiro de 2020, ele integrou uma missão oficial do Senado a Miami e Las Vegas. A comitiva se reuniu com executivos da Las Vegas Sands, então uma das maiores empresas de cassinos do mundo, e visitou o hotel-cassino Venetian. Na ocasião, Flávio publicou nas redes sociais que investidores especializados em resorts integrados estavam dispostos a aplicar cerca de US$ 15 bilhões no Brasil e declarou: “Basta fazermos nosso dever de casa.”
A movimentação gerou reação da bancada evangélica, contrária à legalização dos jogos de azar. O então coordenador do grupo na Câmara, Silas Câmara (Republicanos-AM), minimizou a participação de Flávio na agenda, mas considerou difícil que a regulamentação avançasse durante aquele governo.
A posição do senador foi mudando ao longo dos anos seguintes. Em 2023, ele aderiu à Frente Parlamentar Evangélica no Senado, grupo que tinha entre suas bandeiras a oposição à liberação dos cassinos. Em 2024, votou na Comissão de Constituição e Justiça contra o projeto que autorizava cassinos, bingos, jogo do bicho e apostas em corridas de cavalos.
O discurso contra as apostas on-line ficou mais intenso a partir de novembro de 2025, quando, em reunião no Senado, Flávio afirmou que as bets “não deveriam nem existir” e lembrou ter votado contra a atividade. Na mesma ocasião, disse ter apresentado uma emenda para elevar a tributação do setor a 70% e comparou o tratamento que deveria ser dado às bets ao dispensado aos cigarros. “Para mim deveria acabar”, afirmou.
Disputa no tema das apostas
Lula também intensificou o discurso contra as bets na reta final da campanha. O presidente colocou o tema no centro de suas ações recentes e prepara novas medidas para restringir o setor, com foco nos cassinos on-line. O petista tem defendido publicamente o encerramento do “Jogo do Tigrinho” e atribuído às plataformas parte do endividamento das famílias brasileiras.
A regulamentação das apostas de quota fixa foi aprovada pelo Congresso em 2023, durante o terceiro mandato de Lula. A legislação estabeleceu regras para a operação das empresas no país. Durante a tramitação, o Senado chegou a tentar retirar os cassinos on-line do texto, mas a Câmara reverteu a mudança.


