FPF orienta árbitros e clubes a se cadastrarem em plataforma federal de bloqueio de apostas

Apostas I 23.02.26

Por: Magno José

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FPF orienta árbitros e clubes a se cadastrarem em plataforma federal de bloqueio de apostas
Árbitros da FPF deverão se inscrever em plataforma que veta seus CPFs em casas de apostas (Foto: Célio Messias/Ag.Paulistão)

A Federação Paulista de Futebol orientou árbitros e clubes filiados a se inscreverem no sistema federal de autoexclusão de casas de apostas. A plataforma foi lançada pelo governo federal em dezembro de 2025. O cadastro impede que CPFs registrados acessem sites de apostas online e recebam publicidade relacionada.

A medida será obrigatória para árbitros após a publicação do novo Regulamento Geral de Arbitragem da FPF, prevista para os próximos dias. Para os clubes, a orientação permanece como recomendação. Dados oficiais apontam que 217 mil pessoas já solicitaram o bloqueio pelo aplicativo, conforme informações divulgadas pelo Estadão.

CBF adotou orientação similar antes do Brasileirão

A Confederação Brasileira de Futebol implementou procedimento semelhante antes do início do Campeonato Brasileiro. A entidade orientou os 72 árbitros da primeira turma de profissionais a registrarem seus CPFs no sistema de exclusão.

A legislação brasileira proíbe que pessoas com capacidade de interferir em resultados esportivos realizem apostas. A proibição abrange atletas, árbitros, dirigentes e funcionários. A orientação da FPF busca garantir o cumprimento dessa determinação legal através de ferramenta tecnológica.

Sistema permite escolha de período de bloqueio

O cadastro é realizado através de site específico. O usuário escolhe primeiro o prazo de autoexclusão, com opções de tempo indeterminado ou períodos de um, três, seis, nove ou 12 meses. Durante todo o período selecionado, o CPF cadastrado fica impedido de acessar ambientes de apostas.

A segunda etapa, de caráter opcional, questiona os motivos que levaram à decisão de autoexclusão. O governo federal informou que essas informações auxiliam na compreensão dos fatores que levam pessoas a se afastarem do ambiente de apostas.

Maioria opta por bloqueio permanente

Dos usuários que responderam à pergunta sobre motivação, 37% indicaram “perda de controle sobre o jogo e saúde mental” como razão principal. Outros 25% apontaram o desejo de “prevenir que meus dados sejam utilizados por plataformas de apostas”.

Quanto ao período de bloqueio escolhido, 73% dos usuários optaram pela autoexclusão por tempo indeterminado. Outros 19% selecionaram o período de um ano.

Acordo entre ministérios prevê ações integradas

As medidas introduzidas pelo governo federal integram o Acordo de Cooperação Técnica sobre jogos e apostas. O acordo permite a prevenção de dependência e promove ações integradas de enfrentamento no combate ao vício em apostas. O prazo é de cinco anos.

O acordo estipula melhorias como a confecção de materiais de informações voltados à saúde mental, um canal direto de comunicação entre as pastas envolvidas e compartilhamento total de informações entre os ministérios.

Teleatendimento em saúde mental começa em fevereiro

A ferramenta traz informações sobre pontos de atendimento do Sistema Único de Saúde. O sistema direciona o usuário para o Meu SUS Digital e a Ouvidoria do SUS. Por meio desses canais, as pessoas poderão “testar” se têm algum tipo de problema com vício em apostas online e procurar ajuda.

A partir de fevereiro de 2026, a rede pública de saúde vai ofertar teleatendimentos em saúde mental com foco em jogos e apostas. O serviço será oferecido por meio de parceria com o Hospital Sírio-Libanês dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional (Proadi-SUS).

Especialista avalia ferramenta como essencial para manejo da compulsividade

Cristiano Costa, psicólogo clínico e organizacional e diretor de conhecimento da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), avaliou a iniciativa. “Essas medidas representam um avanço importante na consolidação de práticas mais seguras no setor. As ferramentas de autobloqueio são essenciais para o manejo da compulsividade.” Os ajustes de limites no momento de cadastro e o uso consciente das ferramentas de autocontrole são passos ainda mais importantes para garantir que as apostas continuem sendo uma forma de entretenimento e não um risco, declarou.

Executivos do setor reconhecem avanço da plataforma

Executivos da indústria avaliam a plataforma como um avanço no combate à compulsividade. A ferramenta está alinhada ao que as empresas já vêm adotando desde que a regulamentação entrou em vigor no Brasil, no início de 2025.

Alex Rose, CEO da InPlaySoft, empresa focada na criação e desenvolvimento de plataformas para o setor de betting, afirmou: “Ficamos honrados por colaborar com operadores de apostas que tratam o jogo responsável com extrema seriedade. Por isso, recebemos com grande satisfação os esforços da Secretaria de Prêmios e Apostas para aprimorar a proteção dos jogadores no Brasil. Um banco de dados de autoexclusão é um avanço importante e saudável. Estamos ansiosos para que esta e as demais iniciativas planejadas se concretizem”.

Tiago Grecco, CMO da bet 1PRA 1, interpreta o volume de cadastros como sinal de maior conscientização. “O fato de mais de 217 mil pessoas já terem solicitado a exclusão mostra que o consumidor está mais consciente e que os mecanismos de proteção estão, de fato, sendo utilizados”, disse. Ele completou: “Essa é uma medida essencial para colocar o bem-estar do usuário no centro da operação e estamos trabalhando para aperfeiçoar nossas ferramentas de segurança cada vez mais”.

Fellipe Campos, sócio-diretor da Luck.bet, reconheceu a autoexclusão como ferramenta essencial. “A possibilidade de autoexclusão é uma ferramenta essencial dentro de um ambiente regulado e demonstra que o setor está avançando na construção de um ecossistema mais responsável”, declarou.

Educação é apontada como complemento necessário às ferramentas

O influenciador Daniel Fortune, com atuação no igaming com foco em jogo responsável, destacou as ações auto-restritivas como métodos bem-vindos no combate à ludopatia (incapacidade de controlar o impulso de jogar ou apostar). Ele alertou sobre a necessidade de ir além.

“As possibilidades de que o apostador solicite a autoexclusão, ou defina os seus próprios limites dentro daquilo que aceitará no jogo, são avanços importantes e sempre bem-vindos para o bem-estar do jogador, pois reforçam a consciência e a segurança no uso das plataformas. Mas também é claro que essas ferramentas, sozinhas, não são o suficiente.” É preciso ir além e educar o público, pois a educação é a peça fundamental para garantir um ambiente de jogo mais seguro, responsável e saudável. Nesse aspecto, reforço também a importância do combate às bets clandestinas, que não se comprometem com a disponibilização desses ou de nenhum mecanismo de proteção aos apostadores. Evidenciar de forma clara essa diferença entre os sites ilegais e os regulamentados também é fundamental, afirmou.

Casas de apostas implementam sistemas próprios de monitoramento

As casas de apostas têm adotado medidas próprias para monitoramento de ações e comportamento dos usuários nas plataformas. O objetivo é identificar potenciais comportamentos compulsivos. As empresas emitem alertas com orientações aos jogadores e oferecem a possibilidade de autoexclusão do site.

As plataformas podem restringir ou suspender o acesso de jogadores considerados em situação de risco quando necessário.

A Ana Gaming, holding das casas de apostas 7K Bet, Cassino Bet e Vera Bet, implementou medidas que permitem ao jogador realizar, voluntariamente, uma autoavaliação sobre seu estado. O sistema permite se autoexcluir das plataformas por período determinado ou indefinido. O jogador pode criar limites personalizados para depósito, tempo destinado aos jogos e perdas.

Tagiane Gomide Guimaraes, Diretora Jurídica e de Integridade da Ana Gaming, explicou: “Também temos como iniciativa o monitoramento constante de comportamento de jogo, por meio da análise de perfis e padrões de apostas para identificar jogadores em grupos de risco ou com comportamento potencialmente compulsivo e apresentar opções de tratamento”.

Hans Schleier, COO da Casa de Apostas, adotou pensamento semelhante. “Acreditamos que as novas diretrizes da Secretaria de Prêmios e Apostas reforçam um caminho que o próprio mercado já vem trilhando em prol de um ambiente mais seguro e responsável.” Na Casa de Apostas, já trabalhamos com políticas estruturadas de jogo responsável e enxergamos essas atualizações como um ajuste pontual que trará ainda mais transparência e proteção aos apostadores, fortalecendo a credibilidade do setor todo, disse.

 

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