Governo identifica 48 contas de apostas com mais de R$ 500 mil, suspeita de lavagem

O governo federal identificou 48 contas em casas de apostas com saldo superior a R$ 500 mil cada. O achado, divulgado na sexta-feira (2/10) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, é considerado sugestivo de prática de lavagem de dinheiro.
O montante parado nessas contas destoa do padrão observado no setor. Governo e Polícia Federal vão investigar as movimentações para apurar possível prática de crimes.
Durigan afirmou que “não estou dizendo que todas são [lavagem de dinheiro], mas há uma movimentação que discrepa do grosso das contas que tinham recurso em apostas, e podem sim estar sujeitas a alguma investigação.”
Efeitos da proibição
Desde que o governo Lula vetou as casas de apostas esportivas e os cassinos online, na sexta-feira anterior (25/9), por meio de medida provisória, o saldo total em contas nas operadoras legalizadas recuou de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,4 bilhão, segundo o ministro. As movimentações diárias, que chegavam a R$ 600 milhões, caíram a zero.
Em paralelo, o governo ordenou a derrubada de 10 mil sites clandestinos desde a entrada em vigor da proibição, de acordo com Durigan. Ele afirmou que a retirada dos endereços do ar ocorre em questão de horas e que ações simultâneas em múltiplas frentes buscam impedir o acesso de brasileiros a plataformas irregulares.
Uma força-tarefa formada por Fazenda, Justiça, Esporte e outras pastas também age contra influenciadores digitais e grupos de mensagem que divulgam apostas. O Ministério da Justiça estima que 3,5 milhões de pessoas deixaram de ser expostas a publicidade de bets em decorrência dessas ações.
Pix e saída de recursos
O Banco Central já começou a mapear uma migração de transações via Pix para outros setores da economia. Durigan disse que “teve sim uma redução do Pix, e a gente segue estudando para entender qual é a movimentação, mas o indício que a gente tem hoje é que o dinheiro tá indo para outros setores da economia.”
Prazo para apostadores e reação do setor
Apostadores têm até segunda-feira (5/10) para retirar valores depositados nas plataformas. Após esse prazo, a devolução passará a ser feita pelos bancos e, em último caso, pela Caixa Econômica Federal.
A medida provisória que baniu as bets foi publicada a nove dias das eleições e contrasta com a regulamentação do próprio governo que entrou em vigor em 2024. Empresas do setor ingressaram com pedido no Supremo Tribunal Federal para anular a medida e restabelecer as autorizações anteriores. O segmento alerta para o risco de migração dos consumidores para plataformas clandestinas.


