Governo Lula se divide sobre proibição das bets por perda de R$ 12 bi

O governo Lula (PT) se divide sobre a edição de uma Medida Provisória para restringir as bets. A Secretaria de Comunicação (Secom) defende a proibição total das apostas online, enquanto o Ministério da Fazenda resiste, alertando para uma perda de arrecadação de cerca de R$ 12 bilhões.
O impasse foi revelado pelas notas do Painel e Painel S.A. da Folha de São Paulo deste domingo (20). De um lado, o presidente Lula e a Secom, comandada por Sidônio Palmeira, entendem que a medida mais restritiva é necessária para garantir apoio popular às vésperas das eleições. De outro, a equipe econômica avisa que, sem reposição dessa receita, o governo enfrentará dificuldades adicionais no Orçamento.
A pressão fiscal é concreta. O governo já precisará fazer ajustes no Orçamento de 2027 em razão do aumento do Bolsa Família, cujo custo adicional é estimado em R$ 22,7 bilhões. A perda dos R$ 12 bilhões arrecadados com as bets agravaria esse cenário.
Alternativa no debate interno
Em meio ao embate, uma opção colocada em discussão é proibir apenas os cassinos online, como os jogos do tigrinho, e endurecer as regras de publicidade das apostas esportivas, preservando os patrocínios a clubes de futebol. A proposta de proibição total, no entanto, é a que tem mais força no momento, com apoio de bancos, comércio, indústria e representantes da medicina.
A menos de 20 dias do pleito, o Palácio do Planalto recebe pressão de dois lados opostos. Times e federações de futebol das séries A e B do Brasileirão divulgaram manifesto contra qualquer restrição ao mercado, citando risco de perda de receita e chegando a falar em “fim do futebol brasileiro”.
Publicidade bilionária em jogo
A resistência da indústria de apostas se apoia em números expressivos. Levantamento da Tunad indica que as bets investiram cerca de R$ 1,4 bilhão em publicidade em TV aberta, TV paga, rádio e streaming no ano passado. Estudo do Itaú Unibanco estima que os gastos do setor com propaganda e patrocínio somam entre R$ 5,8 bilhões e R$ 8,8 bilhões por ano. Só na cidade de São Paulo, os investimentos em mídia exterior chegaram a R$ 422 milhões entre janeiro de 2025 e junho de 2026, segundo a Kantar Ibope Media.
TVs e serviços de streaming arrecadam entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2,3 bilhões anuais com publicidade de apostas. O setor alerta que a restrição à publicidade pode encarecer proporcionalmente alguns serviços de mídia, pela redução de volume nos contratos publicitários.


