Já é possível falar em recuperação do Jockey Club de São Paulo.
Todos sabem que o turfe brasileiro atravessa um momento delicado, que exige atenção e medidas drásticas, muitas vezes pouco confortáveis. O Jockey Club de São Paulo vem sentindo diretamente as conseqüências da queda progressiva do movimento de apostas, originada, entre outros fatores, pela concorrência com outras atividades de lazer e em escala maior, com modalidades de apostas menos complexas e dotadas de maior poder de mídia. Como se não bastasse, ainda existe o fantasma do passivo, que vem atravessando anos e gestões. Porém, a Diretoria não se abateu e procurou enfrentar as dificuldades com bom senso e muito trabalho. Graças à algumas medidas implementadas, foi possível criar uma política de pagamento de prêmios, que vem sendo seguida à risca. Evidentemente que ainda está longe dos anseios da coletividade, mas é bom destacar que partiu-se do zero. Outras medidas foram levadas a efeito, entre as quais salientamos:•revisão dos contratos de aluguéis de imóveis e adequação de novos espaços para eventos e outras receitas;•diminuição de despesas vitais, tais como: redução de pessoal – nesta linha, o quadro operacional do Clube, que em 1995 contava com 1.194 funcionários, funciona desde junho do corrente com 562 funcionários, ou seja, com uma redução da ordem de 53%; extinção de diversos serviços de terceiros e racionalização da reposição de materiais de consumo, etc.
Mais recentemente, terceirizou-se os serviços da Divisão de Assistência Veterinária, sem prejuízo dos usuários atendidos por aquele importante setor. Em linhas gerais, gastou-se estritamente o necessário para manter a máquina em funcionamento.
Considerando-se que o Jockey Club de São Paulo, além de uma entidade social é uma casa organizadora de apostas, é clarividente que a questão envolvendo o volume de jogo e as margens aferidas foi o ponto mais crítico a ser atacado, felizmente, com nítida eficiência, como poderá ser comprovado a seguir. No gráfico “Evolução das Margens”, partimos de uma Margem Bruta de R$ 55 milhões em 1995, para R$ 28 milhões em 2003, registrando-se, no caso, uma perda de 49%. Por meio de medidas já tomadas a partir de julho do ano passado, o realizado até junho deste ano, traz a previsão de uma recuperação para o encerramento do exercício de 2004, com um aumento na Margem Bruta de R$ 3 milhões e na Margem Líquida de R$ 1 milhão. Já no gráfico “Evolução do Resultado Operacional”, com a queda das margens, pode ser verificada a dificuldade que a Diretoria teve em manter o equilíbrio entre receitas e despesas, motivo pelo qual adotou-se uma política centrada em atos emergenciais de redução de despesas e aumento de receitas, como está exemplificado nos gráficos.Ainda com relação ao gráfico “Evolução do Resultado Operacional” para o exercício de 2004, baseado no resultado operacional positivo acumulado no 1º semestre, com a diminuição do quadro de funcionários de janeiro de 2004, de 607 para 562, em junho deste mesmo ano, somando-se a terceirização do Hospital Veterinário, no último mês de maio e a desativação da Chácara do Ferreira, que realizar-se á ainda neste segundo semestre, é permissível projetar para o final deste exercício, um equilíbrio do Resultado Operacional.Ressalte-se uma vez mais que tudo isso foi feito sem que a Diretoria assumisse qualquer despesa tida como supérflua. A boa notícia, no entanto, traz consigo a responsabilidade de seguir com o trabalho em curso e mais do que isso, buscar novas alternativas, pois este equilíbrio operacional é insuficiente para fazer frente ao déficit de caixa que vem de outras gestões e está previsto para o final do exercício de 2004 em cerca de R$ 9 milhões, levando-se em conta a amortização do passivo circulante do exercício que monta até junho em R$ 47,5 milhões e o exigível a longo prazo de R$ 66,3 milhões, já constituídas as provisões para contingências (I.P.T.U. e dividas trabalhistas) de R$ 61 milhões. Entre essas medidas necessárias e essenciais, já existe adiantada negociação com empresa especializada em equipamentos e saneamento, que visa reduzir as despesas mensais com consumo de água em cerca de 20%, garantindo, em contrapartida, a recuperação e modernização dos encanamentos do hipódromo. Como se vê, há de fato, muito a ser feito e a Diretoria, como sempre, encara o desafio.
Jockey Club de São Paulo


