Jogadores apostaram US$ 10 milhões que haveria invasão da Venezuela, mas empresa se nega a dar prêmio a vencedores

Apostas I 08.01.26

Por: Magno José

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Congresso dos EUA investiga apostas suspeitas de US$ 400 mil sobre queda de Maduro
Operadores ficaram indignados com a plataforma Polymarket, após captura de Nicolás Maduro pelos EUA não ser considerada critério para determinar quem venceu a aposta

Apostadores estão indignados com a plataforma de mercados de previsão Polymarket, que declarou que não irá pagar quem apostou numa possível invasão dos Estados Unidos à Venezuela. A empresa alega que a captura do então presidente Nicolás Maduro não se enquadra nos critérios determinados pela companhia como invasão, segundo reportagem do jornal britânico The Guardian, repercute O Globo.

Os mercados de previsão são plataformas em que pessoas negociam contratos sobre resultados de eventos futuros incertos (na política, na economia, no esporte etc.), transformando palpites em ativos negociáveis. O preço reflete a probabilidade coletiva de o evento ocorrer.

De acordo com o jornal, operadores destinaram mais de US$ 10,5 milhões a apostas sobre uma possível invasão dos EUA ao país sul-americano neste ano. A maioria tinha como prazo 31 de janeiro. O restante colocou dinheiro em contratos com vencimento no fim de março e em dezembro. Alguns apostadores investiram dezenas de milhares de dólares nessa questão.

Antes de as Forças Armadas dos EUA capturarem Maduro na manhã do último sábado, alguns operadores parecem ter antecipado o movimento surpreendente dos EUA ao fazerem suas apostas nas plataformas de mercados de previsão. Normalmente, são apostas binárias, envolvendo resultados de sim/não ou acima/abaixo, aponta a reportagem.

O Guardian revela que, na sexta-feira passada, um operador anônimo parece ter apostado no Polymarket US$ 30.000 que Maduro estaria fora do poder até 31 de janeiro deste ano. Após o anúncio da captura de Maduro na manhã de sábado, o operador aparentava ter obtido lucros de US$ 436.759,61. Só que não vai levar o prêmio, já que a plataforma esclareceu que a apreensão de Maduro não se qualificava como uma aposta vencedora.

Procurado pelo jornal para comentar, o Polymarket afirmou em seu site que a aposta se refere a “operações militares dos EUA destinadas a estabelecer controle”. E acrescentou que “a declaração do presidente (Donald) Trump de que eles irão ‘administrar’ a Venezuela, ao mencionar negociações em andamento com o governo venezuelano, por si só não qualifica a missão de captura e extração de Maduro como uma invasão.”

Ao expressar sua indignação, um usuário chamado Skinner, citado pelo jornal britânico, escreveu:

“O Polymarket desceu à mais pura arbitrariedade. As palavras são redefinidas à vontade, desconectadas de qualquer significado reconhecido, e os fatos são simplesmente ignorados. Que uma incursão militar, o sequestro de um chefe de Estado e a tomada de um país não sejam classificados como uma invasão é claramente absurdo.”

O Polymarket obteve em 2025 aprovação regulatória para operar nos EUA e é uma das muitas plataformas de mercados de previsão que passaram a ganhar popularidade no Reino Unido, apesar de o site não possuir ainda licença para operar lá.

 

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