Jornal Nacional: Sites de apostas ilegais surgem aos 700 e desafiam proibição do governo

Quase 700 sites de apostas ilegais surgiram no Brasil desde sexta-feira (25/9), quando o governo federal proibiu as bets por meio de medida provisória. O Observatório Independente do mercado de apostas registrou a proliferação das plataformas não autorizadas ao longo dos dias seguintes à proibição.
Segundo o Jornal Nacional da TV Globo, a plataforma Bet Legal identificou 58 novos sites ilegais logo após o anúncio da medida provisória. No sábado (26/9), surgiram mais 334 endereços não autorizados. Até o início da noite de terça-feira (29/9), o total chegava a quase 700 páginas ilegais de apostas.
As apostas online estão proibidas desde sexta-feira (25/9), quase três anos depois de o governo regulamentar o setor. As bets que operavam com autorização têm permissão para permanecer ativas até 5 de outubro, exclusivamente para que os apostadores resgatem o saldo das contas. Após esse prazo, todos os sites e aplicativos sairão do ar.
Força-tarefa do governo
Para combater as plataformas ilegais, o governo montou uma força-tarefa de fiscalização. O Ministério da Justiça divulgou o primeiro balanço da operação: pediu o bloqueio de mais de 5,2 mil sites ilegais e notificou duas lojas virtuais para retirar do ar 186 aplicativos de apostas até 5 de outubro. O governo também identificou 390 páginas e perfis em redes sociais com publicidade de bets ilegais e solicitou a remoção do conteúdo.
A medida provisória proibiu o sistema financeiro de processar transações destinadas às apostas. O governo espera que as novas regras possibilitem o rastreamento do dinheiro movimentado no mercado ilegal. Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública, declarou: “Nós não tínhamos instrumentos legais para ir atrás do dinheiro. A MP trouxe obrigações às instituições financeiras. O Banco Central já regulamentou duas resoluções e essas resoluções permitem que nós possamos ir atrás para onde vai o dinheiro.”
Críticas ao combate ilegal
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) criticou a atuação do governo em nota. A entidade afirmou que, dos mais de 5,2 mil sites cujo bloqueio foi solicitado, menos da metade teve a suspensão efetivamente determinada pela Anatel.
A ANJL também divulgou levantamento próprio: somente na segunda-feira (28/9), sua plataforma registrou 894 novos sites ilegais. Para a associação, o surgimento contínuo de novos endereços evidencia a dificuldade de combater as plataformas ilegais.


