Justiça da Itália bloqueia bens de ex-funcionários por fraude em raspadinha

Blog do Editor I 27.10.26

Por: Elaine Silva

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Cinco ex-empregados de loteria usavam acesso privilegiado para localizar bilhetes premiados da “Gratta e Vinci” e desviar 24 mi de euros

A Justiça italiana determinou o bloqueio de mais de 25 milhões de euros em bens pertencentes a cinco ex-funcionários de uma concessionária de loterias. Os investigados são acusados de usar acesso privilegiado aos sistemas internos da empresa para identificar bilhetes premiados da raspadinha “Gratta e Vinci” antes de sua distribuição ao público.

A decisão resultou no confisco de 25 imóveis, entre residências de luxo e apartamentos, além de cinco veículos e ativos bancários. A ação foi conduzida pela Guardia di Finanza, polícia financeira da Itália, em conjunto com o Tribunal de Contas do Lácio.

Acesso interno como chave da fraude

As fraudes ocorreram em 2020, quando os suspeitos ainda ocupavam cargos estratégicos na Lottomatica Holding, empresa que operava sob concessão estatal para a modalidade de apostas no país. Com credenciais de acesso aos servidores da companhia, eles conseguiram rastrear a logística de distribuição dos bilhetes mais valiosos da linha “Gratta e Vinci”.

Os relatórios internos indicavam o destino exato de cada cartela premiada antes mesmo da entrega aos estabelecimentos comerciais. O grupo sabia, portanto, em quais cidades e lojas os prêmios máximos estariam disponíveis para venda.

Para dificultar o rastreamento, os ex-funcionários não realizavam as compras diretamente. Eles repassavam as coordenadas a familiares e conhecidos, que viajavam até os pontos indicados para adquirir os bilhetes. A estratégia visava ocultar a origem ilícita dos ganhos e evitar suspeitas imediatas dos órgãos fiscalizadores.

Quatro bilhetes, 24 milhões de euros

A Procuradoria do Lácio identificou quatro operações fraudulentas ao longo do período investigado. Em duas delas, os bilhetes resgatados valiam 7 milhões de euros cada. Nas outras duas, o valor por cartela era de 5 milhões de euros. O total desviado chegou a 24 milhões de euros, segundo as apurações do órgão.

Os valores obtidos foram convertidos em bens de alto padrão e investimentos no mercado financeiro. As transações atípicas levantaram alertas entre as autoridades, que passaram a cruzar dados sobre a identidade dos ganhadores e a proximidade deles com os colaboradores da concessionária.

O caso tem ampla repercussão na imprensa italiana e agora tramita sob a condução de um juiz instrutor. O bloqueio dos bens visa garantir a reparação integral ao erário caso os réus sejam condenados ao término do processo. A concessionária Lottomatica Holding não é acusada de participação no esquema.

 

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