Lula não capitaliza apoio nas redes com proibição de bets, aponta pesquisa

Um levantamento nas redes sociais indica que o fim das apostas esportivas no Brasil não se traduziu, automaticamente, em ganho político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A análise, divulgada neste domingo (28/9) pela empresa AP Exata e reportada pela CNN Brasil, monitorou 180 mil menções relacionadas à medida provisória que proibiu as bets no país, publicadas no X e no Instagram nos dias 25 e 26 de setembro.
A proibição encontrou apoio majoritário entre os usuários analisados, impulsionada por preocupações com vício em apostas e endividamento. A dissociação entre a aprovação à medida e o crédito ao presidente, porém, é o dado central do estudo.
O que dizem os números
Dos posts monitorados, 68,2% não mencionam Lula em nenhum momento. Entre os que o citam, 18,6% elogiam o presidente, lhe dão crédito ou o defendem, enquanto 6,2% apoiam a proibição com ressalvas à sua atuação. As críticas ao presidente ou ao momento escolhido para a edição da medida provisória somam 7% das publicações e se concentram em dois argumentos; a decisão anterior do próprio governo de regulamentar o setor de apostas e a proximidade das eleições.
Sergio Denicoli, CEO da AP Exata, declarou à CNN Brasil: “Basicamente, a população é contra as bets, mas isso não quer dizer que o Lula se beneficia do fato de ter proibido. Muita gente vê como oportunismo eleitoral e muita gente critica dizendo que o próprio PT regulamentou as bets.”
Apoio fragmentado
A tensão identificada pelo levantamento revela uma divisão entre quem aprova o fim das apostas enquanto política pública e quem avalia o movimento como cálculo eleitoral. O histórico do governo, que primeiro regulamentou e depois proibiu o setor, alimenta parte do ceticismo registrado nas redes, segundo a análise da AP Exata.
A MP, que proibiu as bets no Brasil, foi publicada dias antes das datas monitoradas pela empresa, o que explica a concentração de reações nos dias 25 e 26 de setembro. O estudo não aponta como a percepção sobre a medida deve evoluir à medida que a eleição se aproxima.


