Na entrevista da Globo, Lula esquece as bets

Apostas I 16.10.26

Por: Magno José

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Na entrevista da Globo, Lula esquece as bets
Em 40 minutos de sabatina, o presidente falou de endividamento, Desenrola e Bolsa Família, mas não citou a proibição que anunciou como bandeira de campanha. O silêncio diz mais do que o discurso (Foto: Ricardo Stuckert)

Durante semanas, a proibição das bets foi apresentada como trunfo da campanha à reeleição. “Eu vou acabar com as bets, doa a quem doer”, disse Lula no Flow Podcast. Na mesma conversa, provocou: “A Globo vai ficar chateada”.

Na noite desta quinta-feira (15), diante da própria Globo e de uma das maiores audiências da campanha, o tema simplesmente desapareceu.

Na sabatina conduzida por Renata Lo Prete, Lula respondeu sobre rejeição ao governo, relação com o Congresso, Estados Unidos, segurança pública, STF e caso Master, Bolsa Família e política fiscal. Quando a jornalista perguntou sobre o endividamento das famílias, ele admitiu que o Desenrola “não resolveu” o problema e apresentou a terceira edição do programa. Não mencionou as apostas uma única vez.

A ausência chama atenção porque esse era o terreno natural para o argumento. Foi justamente ao ligar os endividados às bets que o presidente justificou a medida provisória editada em 25 de setembro. Na Globo, a dívida das famílias voltou a ser problema de juros, bancos e Serasa.

O silêncio também foi escolha. Nas considerações finais, Lula usou o minuto livre para destacar o fim da escala 6×1 e a promessa de tarifa zero no transporte aos fins de semana, temas que nem tinham sido abordados na entrevista. A proibição das bets, que tinha ganhado telão em ato de campanha e espaço na propaganda eleitoral, não entrou na lista.

A leitura mais provável é que a bandeira não rendeu o que a campanha esperava. A proibição foi anunciada quando Lula e Flávio Bolsonaro estavam empatados. Lula terminou o 1º turno atrás, e o Datafolha divulgado no mesmo dia da sabatina mostrou Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% do petista. Integrantes da própria campanha já tinham apontado a medida como um dos erros do 1º turno, e clubes, torcidas organizadas e emissoras seguem mobilizados contra a MP.

Enquanto isso, a MP 1.394/2026 acumula 99 emendas no Congresso, a maioria para flexibilizá-la. No STF, o relator Luiz Fux avalia deixar a decisão para depois do 2º turno. O governo que transformou a proibição em slogan agora prefere não falar dela.

Faltam nove dias para a eleição. Se a medida fosse sinônimo de voto, dificilmente teria ficado de fora do horário nobre.

 

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