Novo Senado: como pensam os 54 eleitos sobre jogos e bets

Apostas, Destaque I 06.10.26

Por: Magno José

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Novo Senado: como pensam os 54 eleitos sobre jogos e bets
Levantamento do BNLData com os 54 senadores eleitos no domingo (4) mostra mais votos contrários do que favoráveis ao PL 2.234/22 entre os que já se posicionaram, e metade da bancada sem registro sobre o tema

Os 54 senadores eleitos neste domingo (4) chegam ao Congresso com mais resistência do que apoio à legalização de cassinos, bingos e jogo do bicho. Entre os que já votaram ou se manifestaram sobre o PL 2.234/22, 16 são contrários e dez são favoráveis. Outros 27 não têm posição registrada, e um tem sinais ambíguos.

O levantamento do BNLData separou dois debates que costumam ser tratados como um só. O primeiro é o dos jogos físicos previstos no PL 2.234/22, que aguarda votação no Plenário do Senado. O segundo é o das apostas de quota fixa e dos jogos online, regulamentados pela Lei 14.790/2023 e hoje proibidos pela Medida Provisória 1.394/2026.

Nas bets, o quadro é ainda mais aberto: 35 dos 54 eleitos não têm voto nem declaração verificada. Entre os 19 com registro, seis votaram a favor da regulamentação com jogos online, quatro são contrários e sete votaram apenas para retirar o cassino online da lei.

Novo Senado: como pensam os 54 eleitos sobre jogos e bets 2

Os eleitos tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, para mandato até 31 de janeiro de 2035, e se somam aos 27 senadores que têm mandato até 2031.

PL 2.234/22: 16 contrários, dez favoráveis

O projeto que legaliza cassinos, bingos e jogo do bicho foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 19 de junho de 2024, por 14 votos a 12. Desde então, não chegou a ser votado em Plenário. Em 17 de dezembro de 2025, os senadores rejeitaram o requerimento de urgência por 36 votos a 28.

Dos 14 senadores em exercício que conquistaram novo mandato, sete votaram contra a urgência: Carlos Portinho (PL-RJ), Alessandro Vieira (MDB-SE), Plínio Valério (PSDB-AM), Styvenson Valentim (Podemos-RN), Marcio Bittar (PL-AC), Lucas Barreto (PSD-AP) e Humberto Costa (PT-PE). Portinho, Vieira e Plínio Valério já haviam votado contra o texto na CCJ.

Apenas dois votaram a favor da urgência: Cid Gomes (PSB-CE), que também assinou o requerimento de apoio, e Marcelo Castro (MDB-PI). Jaques Wagner (PT-BA) e Rogério Carvalho (PT-SE) aprovaram o projeto na CCJ, mas estavam presentes e não registraram voto em dezembro. Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) também não votou, Eduardo Braga (MDB-AM) não compareceu e Eduardo Gomes (PL-TO) presidia a sessão.

Entre os deputados e ex-deputados eleitos, a referência é a votação do PL 442/1991, origem do projeto, aprovado na Câmara em fevereiro de 2022 por 246 votos a 202. Votaram contra Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Carol de Toni (PL-SC), Filipe Barros (PL-PR), Ubiratan Sanderson (PL-RS), Nicoletti (PL-RR), Zé Medeiros (PL-MT), Mara Rocha (Republicanos-AC) e Luizianne Lins (Rede-CE).

Votaram a favor Evair de Melo (Republicanos-ES), André Fufuca (PP-MA), Domingos Sávio (PL-MG), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Guilherme Derrite (PP-SP). Arthur Lira (PP-AL) presidia a Câmara, não votou, mas pautou e defendeu o projeto.

O PL, maior bancada entre os eleitos, com 19 senadores, concentra a resistência: nove têm voto contrário registrado e nove não têm registro. O único favorável é Domingos Sávio, que votou em 2022 quando estava no PSDB.

Bets: sete votaram só contra o cassino online

No debate das apostas de quota fixa, o registro mais direto é a votação do PL 3.626/2023 no Senado, em 12 de dezembro de 2023. Por 37 votos a 27, os senadores aprovaram a emenda de Carlos Portinho que limitava a lei a apostas em eventos reais e excluía os jogos online. A Câmara derrubou a mudança dias depois, por 261 votos a 120.

Sete dos eleitos votaram a favor da emenda: o próprio Portinho, Alessandro Vieira, Plínio Valério, Styvenson Valentim, Marcio Bittar, Eduardo Gomes e Humberto Costa, um dos dois petistas que divergiram da orientação do partido. O grupo rejeitou o cassino online, mas não votou contra as apostas esportivas.

Seis votaram para manter os jogos online no texto: Eduardo Braga, Marcelo Castro, Veneziano Vital do Rêgo, Lucas Barreto, Jaques Wagner e Rogério Carvalho. Os dois petistas aparecem como ambíguos no levantamento, porque o governo do partido editou em setembro a MP 1.394/2026, que proíbe as apostas de quota fixa.

Na mesma sessão, o Senado rejeitou por 36 votos a 25 a emenda que proibia publicidade de bets em arenas e patrocínio a atletas. Portinho, Vieira, Plínio Valério, Styvenson e Bittar votaram pela proibição. Braga, Castro, Wagner, Carvalho e Eduardo Gomes votaram contra, e Humberto Costa se absteve.

Portinho e Styvenson voltaram ao tema em 2025: o senador potiguar é autor do PL 2.985/2023, que originalmente vedava toda a publicidade de apostas, e o fluminense relatou o substitutivo mais brando aprovado pelo Senado em maio daquele ano.

Na Câmara, Bia Kicis, Carlos Jordy e Carol de Toni votaram contra o texto final da lei das bets, em 21 de dezembro de 2023. Alexandre Guimarães (MDB-TO) votou a favor. Arthur Lira presidia a Casa e defendeu a regulamentação em plenário.

Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil, é o único eleito sem mandato parlamentar recente com posição pública clara. “Sou contra, tem que restringir”, disse durante a campanha, ao defender também barreiras à publicidade.

Os dois eixos não andam juntos. Lucas Barreto votou contra a urgência dos cassinos e a favor de manter os jogos online. Cid Gomes apoia o PL 2.234/22, mas não registrou voto na emenda dos jogos online.

Metade da bancada ainda não se posicionou

Os 27 eleitos sem registro sobre o PL 2.234/22 são os que vão definir o placar. O grupo reúne governadores e ex-governadores, como Renato Casagrande (PSB-ES), Helder Barbalho (MDB-PA), Mauro Mendes (União-MT), Reinaldo Azambuja (PL-MS) e João Azevêdo (PSB-PB), que nunca votaram a matéria no Congresso.

Também estão nessa lista os estreantes em mandato federal, entre eles Michelle Bolsonaro (PL-DF), Carlos Bolsonaro (PL-SC), Gracinha Caiado (União-GO), Marina JHC (PSDB-AL), Rayssa Furlan (Podemos-AP), Samanda de Lula (PT-RN) e André do Prado (PL-SP). O BNLData não localizou declaração pública deles sobre cassinos, bingos ou apostas.

No caso da família Bolsonaro, há apenas o contexto. Jair Bolsonaro prometeu vetar a legalização dos jogos em 2022. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa o segundo turno da eleição presidencial, votou contra o projeto na CCJ e contra a urgência, e promete manter as apostas esportivas e proibir os cassinos online.

Sem registro não significa neutralidade. Três deputados que assumiram em 2023, Gustavo Gayer (PL-GO), Fernando Máximo (PL-RO) e Alexandre Guimarães, não participaram da votação de 2022. Deltan Dallagnol (Novo-PR) teve o mandato cassado em maio de 2023, antes da votação da lei das bets.

Nenhum dos 54 eleitos tem voto registrado sobre a MP 1.394/2026, que precisa ser analisada pelo Congresso em até 120 dias.

Novo Senado: como pensam os 54 eleitos sobre jogos e bets 1Metodologia do levantamento

A classificação considera votos nominais e declarações públicas. Para o PL 2.234/22, foram usadas a votação na CCJ do Senado (19/6/2024), o requerimento de urgência (17/12/2025) e a votação do PL 442/1991 na Câmara (23/2/2022). Para as bets, as emendas ao PL 3.626/2023 no Senado (12/12/2023) e a votação final na Câmara (21/12/2023).

O voto sobre a urgência indica disposição, não o voto de mérito. Votos de 2022 podem não refletir a posição atual, sobretudo de quem mudou de partido. “Restritivo” identifica quem votou para excluir os jogos online da lei sem votar contra as apostas esportivas.

Fontes: votações do PL 2.234/2022 e do PL 3.626/2023 no Senado; votação na CCJ e do PL 442/1991 na Câmara, no Congresso em Foco; lista de eleitos, da Agência Senado.

 

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