O Antagonista repercute julgamento do STF com as mesmas fontes religiosas de sempre

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Site distorce o debate ao entrevistar somente os mesmos parlamentares religiosos, que são contrários a legalização dos jogos com discursos na linha da ‘moral e dos bons costumes’

Nesta segunda-feira (5), o portal O Antagonista veiculou três notas sobre o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do RE 966.177. As três notas são assinadas pelo jornalista Diego Amorim, que sempre ouve as mesmas fontes evangélicas: o deputado pastor Sóstenes de Cavalcante (DEM-RJ) e o senador Eduardo Girão (Podemos-CE). O único favorável a legalização dos jogos ouvido pelo O Antagonista foi o senador Angelo Coronel, que “também apoia a legalização da jogatina” desdenha Amorim. O pastor e advogado-geral da União, André Mendonça também é citado na primeira nota.

Pela lógica do jornalista do site, ainda faltou ouvir outros atores religiosos que participaram da campanha contrária em outras oportunidades como a pastora e ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves e o deputado Pastor Marco Feliciano (Republicanos-SP). Para fechar a ‘carolice’, ficou faltando ouvir um representante da Igreja Católica ou o padre da igreja do jornalista.

“Espero que o STF não escancare a porta da lavagem de dinheiro no Brasil”, Sóstenes Cavalcante

O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM), uma das lideranças da bancada evangélica, disse a O Antagonista que, se o STF entender que os jogos de azar não configuram contravenção penal, estará “escancarada a porta para a lavagem de dinheiro” no Brasil.

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“Que o STF tenha juízo e não entre nesse jogo que só beneficia corruptos”

O senador Eduardo Girão (Podemos) criticou hoje o possível julgamento nos próximos dias, no STF, sobre jogos de azar no Brasil.

“Quando achamos que o STF já fez de tudo quanto ao ativismo judicial e invasão de competências, somos surpreendidos com mais essa”, disse o parlamentar a O Antagonista.

Comento

A ‘indústria da proibição’ é uma atividade muito lucrativa e é preocupante que evangélicos e católicos liderem o lobby para manter esta atividade na clandestinidade.

Os religiosos que criticam a possibilidade de legalização dos jogos deveriam refletir sobre as melhores práticas adotadas nas nove maiores economias do mundo – Estados Unidos, China Japão, Alemanha, Índia, França, Reino Unido, Itália e Canadá –, que têm o jogo legalizado e regulamentado. Quando os EUA de tradição evangélica (48.5%) e católica (22.7%), legalizou e acolheu o jogo no seu sistema jurídico, foi porque percebeu que existindo demanda ‘alguém’ vai prestar o serviço.

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