O Assunto #928: Apostas esportivas: o risco de resultado manipulado

Um levantamento que monitorou mais de 850 mil jogos de mais de 70 esportes no mundo concluiu que o Brasil foi o país com o maior número de suspeitas de manipulação de resultado no ano passado. O caso mais simbólico é o escândalo de suborno de atletas que atuaram na Série B do Brasileirão em 2022 para interferirem em determinadas partidas – uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Goiás, que cogita também manipulações nos estaduais Gaúcho e Mineiro.
Já em Brasília, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), olha para o setor de apostas online como um potencial fonte de recursos para melhorar o ambiente fiscal. Ele anunciou que deve regulamentar e taxar a atividade, que podem gerar até R$ 6 bilhões ao ano em arrecadação.
Para explicar todo o universo das apostas eletrônicas, Natuza Nery conversa com Gabriela Moreira, repórter de esportes da Globo que teve acesso a documentos e áudios da investigação do caso da Série B, e com Pierpaolo Bottini, advogado e professor de direito penal na USP. Neste episódio:
– Gabriela descreve a operação conduzida pelo MP de Goiás, que já tornou réus 14 suspeitos (entre eles, oito jogadores) de operarem um esquema para interferir nos jogos da Série B: “Receberiam até R$ 150 mil para cometer pênalti”;
– A jornalista questiona o “cenário nebuloso” no qual não se sabe quem são os donos das empresas de apostas esportivas e nem a destinação do dinheiro – que vem sendo despejado “em toda a publicidade envolvida no jogo de futebol”;
– Pierpaolo detalha o “fenômeno” que são os números das apostas esportivas nos últimos anos: a atividade foi legalizada em 2018, mas perdeu o prazo da regulamentação. “Não há regra para essas empresas e nem proteção para o consumidor”;
– Ele também explica qual é o projeto do Ministério da Fazenda para taxar as empresas de aposta, criar mecanismos que inibam a lavagem de dinheiro no setor e estabelecer uma agência reguladora. Ouça no g1 Podcasts com Natuza Nery.


