O Itaú desmentiu Paula Lavigne: as plateias não estavam vazias

Apostas I 14.10.26

Por: Magno José

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O Itaú desmentiu Paula Lavigne: as plateias não estavam vazias
Amiga da primeira-dama Janja da Silva, Paula Lavigne articulou a mobilização de artistas contra o setor que ajudou a preparar o terreno para a MP 1.394/2026 (Fotos: Ricardo Stuckert – 13.mai.2022)

“Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo, ou todas as pessoas por algum tempo, mas não pode enganar todas as pessoas o tempo todo.” A frase, atribuída a Abraham Lincoln, cabe como uma luva no debate que levou à MP das Bets.

Em reunião convocada pelo presidente Lula com artistas para discutir as apostas, a produtora cultural Paula Lavigne afirmou que promove shows há 40 anos e “nunca viu nada igual”: as plateias estariam vazias. A culpa, na narrativa construída a partir dali, era das bets. Amiga da primeira-dama Janja da Silva, Lavigne articulou a mobilização de artistas contra o setor que ajudou a preparar o terreno para a MP 1.394/2026.

Presidente Lula reúne apenas críticos das bets no Palácio do Planalto  
Em reunião convocada pelo presidente Lula com artistas para discutir as apostas, a produtora cultural Paula Lavigne afirmou que promove shows há 40 anos e “nunca viu nada igual”: as plateias estariam vazias

Agora, os números chegaram. A sétima edição da pesquisa Hábitos Culturais, do Observatório Fundação Itaú com o Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (14) e noticiada por O Globo, mostra exatamente o contrário. A frequência a shows cresceu de 45% para 51%. Centros culturais passaram de 26% para 32%, museus de 16% para 21% e exposições de arte de 27% para 31%. No total, 88% dos brasileiros fizeram ao menos uma atividade cultural presencial nos 12 meses anteriores à pesquisa, contra 84% em 2025.

O detalhe que desmonta a tese: o campo foi feito entre 7 e 20 de julho de 2026. Ou seja, os 12 meses medidos correspondem integralmente ao período em que as apostas de quota fixa funcionavam de forma regulada, com operadores autorizados pela SPA/MF. Se as bets esvaziassem plateias, o efeito teria aparecido justamente aí. Não apareceu. As plateias cresceram.

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E o bolso do público? A pesquisa indica que a parcela dos que gastam até R$ 100 por mês com cultura caiu de 52% (2024) para 49% (2025) e 46% (2026) — sinal de que o gasto com cultura aumentou, e não encolheu.

Os obstáculos apontados pelos brasileiros são outros: falta de dinheiro (35%), medo da violência (30%), falta de tempo (23%), cansaço (21%), distância e lotação (19%) e falta de transporte (16%). A desigualdade de renda segue sendo o grande divisor: 97% das classes A e B frequentaram alguma atividade presencial, contra 82% das classes D e E. Nenhuma linha do levantamento atribui às apostas a culpa por qualquer esvaziamento.

O setor regulado foi condenado com base em uma impressão pessoal transformada em verdade de Estado. A narrativa funcionou por algum tempo — tempo suficiente para virar medida provisória, fechar empresas, ameaçar milhares de empregos e empurrar apostadores para o mercado ilegal. Mas, como ensina a frase, não dá para enganar todas as pessoas o tempo todo. Os dados, cedo ou tarde, cobram a conta.

 

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