PBH gasta R$ 500 mil com caça-níqueis.

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Por: sync

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A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) gastou quase meio milhão de reais em quase dois anos só para armazenar máquinas caça-níqueis apreendidas na Região Centro-Sul. Esse valor corresponde ao aluguel de dois galpões e ao pagamento de duas empresas de vigilância para tomar conta do material recolhido.
Um dos galpões tem 700 metros quadrados, pertence à autarquia Beneficência da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (Bprem) e está localizado em área nobre da cidade, na Avenida Barbacena, no Barro Preto, na Região Centro-Sul. O aluguel por metro quadrado desse imóvel é da ordem de R$ 8,00 (R$ 5.558,00 mensais), muito acima do valor de mercado, na avaliação de especialistas.
O segundo galpão, alugado através da imobiliária Silvio Ximenes, de 740 metros quadrados, fica na Avenida Antônio Carlos, Bairro Lagoinha, Noroeste da capital, e tem o metro quadrado mais em conta, R$ 2,50 (R$ 1.852,00 mensais).
Mas a maior parcela das despesas é com a segurança. Para garantir a integridade das máquinas, a PBH contratou os serviços das empresas Qualiservis e Plantão, desembolsando R$ 15.370,74 mensais para manutenção de seguranças nas 24 horas do dia.
O secretário de Gestão Regional Centro-Sul, Fernando Viana Cabral, admite que os R$ 22.780,00 gastos mensalmente com os aluguéis e a vigilância dos galpões poderiam ser melhor empregados. “Poderíamos usar essa verba no incremento da fiscalização ou até mesmo nos setores de educação e saúde", disse, atribuindo à morosidade da Justiça o principal fator para o gasto supérfluo.
A intenção, segundo ele, é destruir as máquinas utilizadas em larga escala por contraventores, mas essa decisão cabe à Justiça. Recentemente, em Contagem, dezenas de máquinas caça-níqueis foram destruídas.
Questionado sobre o valor elevado dos aluguéis, Cabral argumentou que os contratos foram firmados somente após pesquisa minuciosa de mercado. Já as empresas de segurança, segundo ele, foram definidas através de licitação.
A última pesquisa Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas da UFMG (Ipead), no entanto, mostra que o metro quadrado de um galpão de padrão médio em BH custa menos de R$ 3,50, enquanto o metro quadrado de um galpão de padrão alto não chega a R$ 5,20. A mesma pesquisa revela que há na cidade mais de 50 galpões a espera de inquilinos.
De acordo com o advogado especialista em Direito Imobiliário e vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI), Kênio de Souza Pereira, a oferta de galpões da Região Centro-Sul nunca foi tão alta. “Além disso, o mercado está desaquecido há pelo menos três anos, o que desestimula atividades empresariais", disse.
Ainda segundo o secretário da Regional Centro-Sul, os caça-níqueis começaram a ser estocados nos galpões alugados em janeiro do ano passado. Em menos de dois meses, a capacidade de armazenamento dos dois imóveis já estava saturada.
Depois disso, a Polícia Militar passou a apreender apenas as placas eletrônicas das máquinas, mas os contraventores, segundo a própria PM, compram outras e, em menos de 24 horas, as máquinas voltam a operar normalmente.
A PBH é hoje fiel depositária de 3.649 máquinas caça-níqueis, empilhadas nos galpões da Lagoinha e do Barro Preto. Nas últimas semanas, 156 máquinas apreendidas foram devolvidas, “por força de mandado judicial".
Jornal Hoje em Dia (MG) – Jader Rezende

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