Perda de empregos e encerramento de contratos acende alerta para cadeia de eventos no Nordeste

A proibição das apostas online no Brasil já provoca cortes de pessoal e cancelamento de encomendas em uma cadeia que reúne operadoras, prestadores de serviços e pequenos fabricantes. Segundo levantamento da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), entidade que representa empresas do setor, foram registradas mais de 3,5 mil perdas de postos de trabalho e encerramentos de contratos após a medida.
Em Pernambuco e na Bahia, por exemplo, a presença de empresas de apostas no Carnaval e em outros eventos aproxima o tema de atividades como produção, montagem, confecção de brindes, publicidade e serviços de apoio. Recife, Olinda e Salvador estão entre as cidades que receberam investimentos e ativações dessas marcas, com demanda por produtos e serviços para as festas.
O levantamento da ANJL também registra 4.167 funcionários em férias coletivas e projeta 5,6 mil perdas de empregos em até 90 dias.
Do patrocínio à encomenda
Os efeitos econômicos dos investimentos em eventos passam por diferentes fornecedores. Ações de divulgação demandam equipes, materiais e produtos que podem ser contratados em um estado e utilizados em outro. Um exemplo está no polo de bonés do Seridó, no Rio Grande do Norte, que atende empresas de apostas com presença em festas de diferentes cidades do Nordeste.
Duas fabricantes da região estimam perdas de R$ 2,95 milhões em encomendas após a proibição. Os pedidos somavam 500 mil peças e mobilizariam funcionários, oficinas terceirizadas e pequenos produtores nos próximos meses.
Na WRL Bonés, uma encomenda de 300 mil peças para o Esportes da Sorte representaria R$2,1 milhões em receita e envolveria cerca de 200 trabalhadores, entre empregados da fábrica e profissionais de fornecedores. Segundo a diretora Larissa Almeida, a empresa não dispõe de outros clientes capazes de substituir esse volume de pedidos.
“Muitos trabalhadores serão afetados. A verdade é que todos no setor estão arrasados com esse impacto inesperado”, afirma Larissa.
Já a DF Bonés e Chapéus estima R$ 850 mil em encomendas perdidas, equivalentes a 200 mil peças. A produção estava prevista para começar em novembro, com participação de cerca de 50 pequenos produtores. A fabricante busca alternativas para evitar demissões.
Segundo Elnio Souza da Silva, proprietário da empresa, os pedidos também sustentavam planos de trabalhadores terceirizados, como comprar uma moto para trabalhar, reformar a casa ou visitar parentes. Ele relata que cerca de 30 fábricas de bonés e chapéus em Caicó foram impactadas.
Além do Esportes da Sorte, as fabricantes atendem clientes como Betnacional e Sportingbet. Os R$ 2,95 milhões correspondem ao faturamento previsto com as encomendas das duas empresas. Os efeitos sobre ocupação e renda nessa cadeia ainda não foram dimensionados.


