PL Antifacção fortalece crime organizado e pode levar ao caos jurídico, alerta setor de apostas

Apostas I 15.12.25

Por: Magno José

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PL Antifacção fortalece crime organizado e pode levar ao caos jurídico, alerta setor de apostas
Lideranças do mercado regulados de apostas de quota fixa pedem a supressão de dispositivos que criam Cide confiscatória e repetem erros de leis anteriores, como o RERCT, gerando insegurança jurídica e favorecendo o mercado ilegal

Lideranças e operadores do setor de apostas de quota fixa, mas conhecidas como “bets”, alertam que as recentes alterações no Projeto de Lei 5.582/2025 (“PL Antifacção”) criarão um cenário de caos judicial, insegurança jurídica e, paradoxalmente, fortalecerão o crime organizado. O texto, que aguarda nova análise na Câmara dos Deputados, foi duramente criticado por instituir uma tributação considerada ilegal e por falhar em criar um ambiente de negócios seguro.

A elevação da carga tributária sobre o setor deve provocar uma migração praticamente imediata de até 25 milhões de brasileiros para o mercado ilegal. Essa movimentação, alertam especialistas, acabará por financiar o crime organizado, impulsionando apostas clandestinas e lavagem de dinheiro, enquanto o consumidor perde as garantias de proteção e as ferramentas de jogo responsável.

O ponto mais controverso é a criação da “Cide-Bet”, uma contribuição de 15% que incide diretamente sobre o depósito do apostador, antes mesmo que qualquer aposta seja feita. Especialistas apontam que a medida se caracteriza como um confisco ilegal do dinheiro do cidadão, uma apropriação indevida no momento da transferência financeira, reduzindo o valor real do depósito no mercado legal (por exemplo: R$ 100 viram R$ 85) enquanto no ilegal ele permanece intacto.

Além disso, o programa de regularização proposto no PL apresenta falhas estruturais idênticas às do RERCT (Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária), a Lei da Repatriação de 2016. Assim como ocorreu no passado, o modelo gera insegurança jurídica ao criar regras confusas que penalizam operadores licenciados internacionalmente, que já pagaram seus impostos devidos, e inviabilizam a regularização de quem operou sem licença, por total impossibilidade técnica de cumprimento das exigências.

O exemplo Internacional: O Fracasso nos Países Baixos

A proposta brasileira ignora alertas de experiências internacionais que provam que o aumento de impostos e restrições excessivas resultam em queda de arrecadação e crescimento do mercado clandestino.

Nos Países Baixos, um aumento de impostos de 30,5% para 34,2%, em janeiro deste ano, somado a limites rígidos de depósito gerou um resultado catastrófico. Jogadores de alto valor migraram imediatamente para sites ilegais, que não possuem limites nem taxas. O governo local agora enfrenta agora um rombo de mais de €200 milhões na arrecadação prevista, com a receita do mercado regulado caindo 25% se comparado ao último ano. A título de comparação, a carga tributária brasileira total do setor já supera 40%, uma das maiores do mundo, sendo tal carga elevada uma das principais razões de se ter metade do mercado nacional na ilegalidade.

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Mobilização em Brasília

Diante da gravidade do cenário, lideranças e operadores do setor estarão em Brasília nos próximos dias para dialogar diretamente com os parlamentares. O objetivo é esclarecer o impacto devastador da Cide-Bets e demonstrar tecnicamente como a medida, ao invés de aumentar a arrecadação, irá destruí-la ao empurrar o consumidor para a ilegalidade.

O setor defende que o PL Antifacção comete dois erros graves: cria uma Cide que funciona como confisco e propõe um programa de regularização falho. A segurança jurídica, essencial para o Estado Democrático de Direito, está sendo comprometida, o que resultará no domínio do mercado ilegal, financiamento do crime e lavagem de dinheiro.

O Caminho Certo: Supressão de dispositivos nocivos e combater fortemente o mercado ilegal

O setor pede à Câmara dos Deputados a supressão dos dispositivos do substitutivo que criam a nova tributação e o modelo falho de regularização.

Para o setor, a prioridade deve ser o combate ao mercado paralelo, que hoje domina entre 41% e 51% das apostas e não oferece garantias. Em contrapartida, o mercado regulado, estabelecido pela Lei 13.756/2018 e consolidado pela Lei 14.790/2023 e diversos dispositivos infralegais, opera sob rígidos mecanismos de proteção.

Segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, o mercado legal já destinou R$ 290 milhões somente à Segurança Pública apenas no primeiro semestre de 2025, via tributação sobre o GGR (receita bruta após prêmios). O setor apoia, inclusive, discussões para reorganizar a destinação dos tributos e ampliar ainda mais a fatia direcionada especificamente ao financiamento da Segurança Pública e consequentemente o PL em questão.

Sobre o Setor de Apostas Regulado

O mercado de apostas de quota fixa no Brasil, estabelecido pela Lei 13.756/2018 e consolidado pela Lei 14.790/2023, opera sob um rigoroso arcabouço jurídico que prioriza a segurança e a transparência. As empresas licenciadas são obrigadas a adotar tecnologias avançadas, com auditorias independentes e seguem estritos protocolos de prevenção à lavagem de dinheiro, fraudes, publicidade controlada e proteção ao jogador, entre inúmeros outros controles.

O mercado de apostas de quota fixa online no Brasil representa um importante potencial de arrecadação e entretenimento. O setor defende um modelo de regulação equilibrado, que promova o jogo responsável, a segurança do consumidor e o combate efetivo às operações ilegais, alinhado às melhores práticas globais. Para saber mais sobre a regulação no Brasil, as empresas e marcas autorizadas e todo o arcabouço legal, a SPA (órgão regulador) mantém seu portal atualizado: https://www.gov.br/fazenda/pt-br/composicao/orgaos/secretaria-de-premios-e-apostas

 

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