Por que há tantos famosos na CPI das Pirâmides de Criptomoedas? Entenda

BNL I 28.08.23

Por: Elaine Silva

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Famosos envolvidos na CPI das Pirâmides de Criptomoedas (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Até agora, a CPI convocou o ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho, o ator Cauã Reymond, a atriz e apresentadora de televisão Tatá Werneck e o jornalista Marcelo Tas. Todos eles estão envolvidos com empresas investigadas por fraudar investidores, prometendo lucros exorbitantes com ativos digitais.

Apesar disso, nenhum deles compareceu à CPI até o momento.

Sobre o que trata a CPI das Pirâmides de Criptomoedas?

Iniciada em 13 de junho, a CPI das Pirâmides Financeiras tem como objetivo apurar golpes à população, lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo ativos digitais. O deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) é quem preside os trabalhos e o deputado Ricardo Silva (PSD-SP) é o relator.

A expectativa é que a CPI dure até 12 de outubro, escutando representantes reguladores do mercado de capitais, empresas do segmento e pessoas envolvidas com criptomoedas, com essa relação podendo ser por meio da sua promoção ou administração.

Existe a possibilidade que a CPI seja prorrogada por mais 60 dias, caso ao menos um terço dos deputados assinem um requerimento.

Quais são os famosos convocados para a CPI?

A CPI aprovou, no começo de agosto, a convocação de Ronaldinho Gaúcho, Cauã Reymond, Marcelo Tas e Tatá Werneck. Apesar disso, nenhum deles foi às sessões nas quais estavam previstos os seus depoimentos.

“São pessoas que fizeram propaganda para esquemas de pirâmide. Precisam ser ouvidos”, disse o presidente da CPI, Áureo Ribeiro. Como essas personalidades foram convocadas, em teoria, elas são obrigadas a comparecer.

Por que Ronaldinho foi convocado a CPI?

Ronaldinho deveria comparecer à CPI para testemunhar sobre a “18K Ronaldinho”, uma empresa que foi apontada como pirâmide financeira pelo Ministério Público Federal e que prometia lucros de até 400% ao mês com investimentos em criptomoedas. Uma ação coletiva do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec) sobre o tema tem um valor de causa de R$ 300 milhões.

O ex-jogador foi convocado duas vezes nesta semana e faltou nos dois dias combinados (22 e 24). Assim, o presidente da CPI disse que iria pedir na Justiça a condução coercitiva do ex-jogador.

De acordo com Roberto de Assis Moreira, irmão e empresário do Ronaldinho, que compareceu a CPI nesta quinta-feira, o ex-jogador licenciou a sua imagem apenas para a 18k Watches, para uma linha de relógios, mas não permitiu o uso de sua imagem para qualquer empresa de criptoativos ou marketing multinível.

Moreira também alega que o contrato foi rescindido assim que começaram os rumores sobre uso de criptoativos e marketing multimídia.

Por que Tatá Werneck, Cauã Reymond e Marcelo Tas foram convocados?

Tatá, Cauã e Tas foram chamados na condição de investigados por terem feito, em 2018, propagandas para a Atlas Quantum, empresa acusada de aplicar um golpe de cerca de R$ 7 bilhões em 200 mil investidores. Tas, inclusive, teria sido um dos prejudicados pela fraude.

A sessão que deveria ter escutado a Tatá e o Cauã estava agendada para o dia 15 de agosto, porém, os dois não compareceram. O depoimento de Tas estava marcado para o dia seguinte, mas ele também não compareceu. Nesta semana, a CPI aprovou a quebra do sigilo bancário dos três famosos.

“As pirâmides se utilizam de pessoas famosas para dar credibilidade ao que propagam. A importância dos depoimentos de pessoas que participaram do marketing dessas pirâmides é saber quem estava por trás das empresas e tentar recuperar os ativos”, disse o presidente da CPI, deputado Aureo Ribeiro (SDD-RJ).

A famosa citada, mas não investigada

Apesar de algumas celebridades estarem sendo investigadas na CPI, há uma famosa que está sendo envolvida nesses casos de fraude, desta vez como vítima. A modelo Sasha Meneghel, filha da apresentadora Xuxa, e o marido João Figueiredo, teriam perdido R$ 1,2 milhão em um esquema liderado por Francisley Valdevino da Silva, conhecido como “Sheik das Criptomoedas”.

Silva já foi escutado na CPI, mas optou por permanecer em silêncio durante a sessão na qual participou. Ele é dono da Rental Coins Tecnologia e é acusado de chefiar um golpe que teria movimentado R$ 4 bilhões.

Segundo as acusações, Silva prometia ganhos de até 13,5% ao mês com um suposto negócio de locação de ativos digitais.

Caso da 123milhas

Os sócios da 123milhas, Ramiro Madureira, Augusto Madureira e Cristiane Madureira do Nascimento, também foram convocados para deporem sobre o modelo de negócios da companhia e o cancelamento de pacotes comprados por clientes. Os parlamentares também determinaram a queda do sigilo da empresa e de seus sócios.

Isso porque, no dia 18 de agosto, a companhia informou que não iria emitir as passagens e pacotes de viagens comprados com datas flexíveis entre setembro e dezembro deste ano. Inicialmente, a 123milhas disse que devolveria os valores pagos em forma de vouchers para os clientes prejudicados, porém, já há decisões judiciais obrigando a empresa fazer a devolução em dinheiro.

Apesar da crise na 123milhas não estar relaciona a criptomoedas, o relator da comissão, Ricardo Silva, disse que a operação da empresa se assemelhava a um esquema de pirâmide e que por isso, precisa ser esclarecida. “Vendiam passagens que custavam R$ 5 mil por R$ 1 mil com antecedência”, exemplificou o deputado. (Valor Econômico)

 

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