Presidentes de CBF e STJD falam sobre manipulação de resultados no Rio Innovation Week

O futuro do futebol nacional e como lidar com manipulação de resultados foi o centro das discussões no painel “O futuro do esporte brasileiro – regulação, impacto financeiro e integridade”, realizado nesta quarta-feira durante o Rio Innovation Week 2025, que conta com o patrocínio da Superbet. O encontro reuniu os presidentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, e do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luis Otavio, para debater como a regulamentação das apostas esportivas pode fortalecer a integridade das competições.
A conversa destacou que a entrada em vigor da Lei 14.790/2023, em janeiro deste ano, representou um marco para a governança esportiva brasileira, ao estabelecer regras claras para operadores licenciados, direcionar recursos para políticas públicas e criar instrumentos para o combate à manipulação de resultados. A mudança no cenário faz parte da evolução do futebol brasileiro, como foi indicado no painel.
O presidente da CBF destacou que a regulamentação cria condições para maior transparência e responsabilidade no esporte. “A integridade das competições realizadas pela CBF é inegociável. A regulamentação (das bets) veio para ajudar em mecanismos de combate; temos um sistema dentro da CBF desde 2023, e depois que foi implementado, diminuiu 80% os casos de manipulação de resultados. O que nós queremos é dar lisura maior para os campeonatos, e a regulamentação veio para nos ajudar neste sentido”, disse Samir Xaud, destacando seus primeiros passos no cargo.
“Com 80 dias de gestão, tenho desafios diários. Um dos principais é a modernização da arbitragem, investimento no futebol feminino – que vem crescendo há anos -, o combate ao racismo, e além das dificuldades, estamos com muita vontade de fazer pelo futebol brasileiro e tomar decisões que, no passado, não foram tomadas. Temos uma gestão descentralizada, com autonomia de todas as áreas trabalharem”, detalhou o dirigente.
Já o presidente do STJD ressaltou a importância de mecanismos ágeis para identificar e punir casos de manipulação. “Temos dificuldade de apuração, porque é uma infração oculta, e os instrumentos de investigação são de autoridades públicas, como o Ministério Público, seja civil ou federal. Nesse caso, a Justiça Desportiva não pode quebrar isso. Mas, para dosar a pena, estamos cientes de que a manipulação pode se manifestar de focos diferentes, atacando pessoas diferentes, usando a imprevisibilidade da partida e que ofende um mercado regulado. E também pode se manifestar em uma gestão de calendário ou programação com o clube. São casos que merecem cuidados especiais”, explicou Luis Otavio, comparando o Brasil a outros países.
“Temos que harmonizar o que estamos aplicando aqui com o que está sendo aplicado no mundo. Isso é muito sensível, porque somos o país que mais pune atletas por manipulação de resultados. Precisa ser visto com cuidado, para entender se não estamos nos desassociando do futebol internacional. O futebol é um mundo próprio. A FIFA pretende que o esporte seja único em todo mundo. Existe essa dificuldade de equalizar como isso está sendo tratado fora e no Brasil, para entender em qual lado da balança nós estamos. Pelo fato de manipulação de resultados, existe urgência, tanto de torcedores quanto da mídia. Isso é um desafio”, afirmou o presidente do STJD.
Mais informações sobre o evento em https://rioinnovationweek.com.br/


