Proibição de apostas no Brasil demite 500 em call center de bets

Bets e empresas terceirizadas contratadas pelo setor já iniciaram demissões após a edição de medida provisória que proibiu as apostas de quotas fixas no Brasil. Uma das principais casas de apostas do país dispensou 500 funcionários que atuavam no call center, revela a Folha de S.Paulo.
As companhias contratadas para atividades de patrocínio e eventos em clubes de futebol foram as primeiras a ser atingidas. Mas casas de apostas de grande porte também começaram a cortar postos. Um estudo da LCA Consultores Econômicos e Cruz Consulting estima que o setor pode perder 15,5 mil vagas de trabalho no total.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a medida provisória nesta quinta-feira (25/9). O governo também enviou ao Congresso projeto de lei que prevê pena de quatro a seis anos de prisão para quem explorar apostas no país.
Apoio popular e dados do mercado
A proibição conta com ampla aprovação da população. Pesquisa do Datafolha mostra que 78% dos brasileiros são favoráveis ao fim das apostas, enquanto 18% se opõem. O suporte é majoritário em todos os segmentos sociodemográficos avaliados, com índice mais alto entre mulheres (82%), contra 74% entre homens.
No mercado de trabalho, a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024 identificou 67 ocupações formais no setor. O número de empregados com carteira assinada triplicou naquele ano. O salário médio mensal chegou a R$ 7.000 para contratados diretos e a R$ 4.000 para terceirizados, bem acima da média nacional de R$ 3.200 registrada no período.
Posição da Betano
Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (2/10), a Betano afirmou estar cumprindo as determinações da medida provisória. A empresa, uma das maiores casas de apostas em operação no Brasil, afirmou, porém, ressalvas sobre o alcance da decisão.
“Acreditamos, porém, que esta medida representa uma interrupção abrupta no caminho de construção e evolução do mercado regulado de apostas online no Brasil e coloca em risco avanços importantes dos últimos anos, especialmente na proteção dos consumidores, no combate ao mercado clandestino, na geração de receitas tributárias para o país e na segurança jurídica necessária para investimentos de longo prazo”, afirmou a empresa.


