Quaest: só 7% dos brasileiros citam bets e redes sociais como motivo de esperança no novo governo Lula

A pesquisa Quaest “O Brasil depois das urnas”, encomendada pelo O Globo e divulgada neste domingo (8), deu manchete para um dado que, olhado de perto, encolhe. Segundo o levantamento, 16% dos eleitores otimistas citam a “regulação de bets e redes sociais” como o que mais traz esperança no quarto mandato de Lula. O item fica atrás da defesa da democracia e do combate ao bolsonarismo (20%) e dos programas sociais (17%).
O detalhe que muda a leitura é a base do cálculo. A pergunta foi feita só aos 44% que se dizem mais otimistas do que preocupados com o futuro do país. Na população inteira, o item equivale a cerca de 7%. E esse número junta dois temas diferentes: as bets e a regulação das redes sociais, uma das bandeiras mais fortes da campanha de Lula. A pesquisa não diz quanto cabe a cada um.
Há ainda a escolha das palavras. O item fala em “regulação”, e o próprio diretor da Quaest, Felipe Nunes, atribuiu parte do otimismo à possibilidade de “manter regulação contra as Bets”. Mas o que o governo fez em 25 de setembro foi proibir, por meio da MP 1.394/2026, e acabar com o mercado regulado que funcionou por 22 meses. O que parte do eleitor diz valorizar é justamente o que o governo extinguiu.
A proibição, aliás, sequer aparece entre as promessas de campanha que o eleitor mais quer ver cumpridas. A lista é liderada pelo fim da escala 6×1 (17%), seguido do imposto zero na cesta básica (16%), da valorização do salário mínimo (11%), do pacto contra o feminicídio (10%), da ampliação do Farmácia Popular (8%) e do enquadramento de presídios de segurança máxima (7%). A medida que o governo transformou em bandeira na reta final da campanha não aparece entre as citações divulgadas.
O caminho da MP 1.394 também não deve ser fácil. Para 70% dos entrevistados, o quarto mandato terá mais conflito com o Congresso, onde a medida precisa ser votada. Em 2022, eram 48%. Com o STF, onde a MP é questionada em ações sob relatoria do ministro Luiz Fux, 46% esperam mais conflito.
O mesmo levantamento mostra um quadro econômico menos animador. Pela primeira vez no terceiro mandato, os eleitores que esperam melhora e os que esperam piora da economia nos próximos 12 meses empataram, com 39% cada. Em agosto, eram 46% contra 24%. Entre os preocupados, a economia, os gastos, a dívida pública e os juros lideram as preocupações (27%). Entre os otimistas, só 6% citam a economia como motivo de esperança.
A Quaest fez 2.004 entrevistas presenciais com eleitores a partir de 16 anos, em todo o país, entre 30 de outubro e 2 de novembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Um eleitor que pede regulação não está pedindo proibição.


