Quatro acusados de envolvimento em assassinato de empresário lotérico de Belo Horizonte na véspera do natal de 2020 vão a júri

Lotérica I 04.05.22

Por: Elaine Silva

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Segundo a denúncia, o assassinato está relacionado à negociação de uma lotérica. Para simular um assalto, os executores chegaram a levar a carteira e o celular da vítima

Quatro acusados de envolvimento no assassinato do empresário Jacy José Furtado, de 59 anos, são julgados nesta terça-feira (3), em Belo Horizonte. Segundo a denúncia, o assassinato está relacionado à negociação de uma lotérica.

O crime aconteceu na véspera do Natal de 2020, no bairro Santo Cruz, na Região Nordeste. Jacy foi morto a tiros quando saía de casa. Para simular um assalto, os executores chegaram a levar a carteira e o celular da vítima.

Respondem pelo crime Felipe de Oliveira, que havia comprado uma lotérica do empresário, Míriam Ferreira, que havia negociado uma casa com a vítima, o companheiro dela, Geraldo Ferreira e Jean Sampaio.

“Meu irmão era honesto, trabalhador. Trabalhou muitos anos, estava na hora de se aposentar, vendeu a loteria para se aposentar, curtir a família, as netas. E acontece isso. Estou preparada, quero ficar até o final e sempre pedindo a Deus para iluminar, os juízes, advogados, promotor. Vamos condenar todos”, disse Neide Maria Furtado, irmã da vítima antes do início do júri popular.

A sessão, realizada no I Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, começou por volta das 10h. Seis mulheres e um homem formam o conselho de sentença que vai definir o destino dos réus. Durante a manhã, duas das 15 testemunhas previstas foram ouvidas.

Denúncia
A denúncia aponta que Felipe foi o mandante do crime. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), após a venda lotérica, réu e vítima tiveram um desentendimento.

“Até a data dos fatos, o mandante Felipe ainda não havia pago à vítima o valor devido pela citada lotérica e tampouco aqueles que lhe foram repassados para a administração do estabelecimento. (…) Eis que queria administrar sozinho e de forma temerária a lotérica que possuía junto com a vítima, sem a interferência desta, além de não lhe pagar os valores devidos pela mesma lotérica, bem como emprestados pelo ofendido para a administração do empreendimento”, afirma a denúncia.

Ainda segundo o MPMG, para conseguirem monitorar Jacy, os réus colocaram um rastreador no carro dele. Na cena do crime, a denúncia descreve a presença de Jean e de Geraldo. Já Miriam teria aguardado a dupla dentro do carro e sido a responsável por dirigir o veículo durante a fuga.

Após o crime, a polícia recebeu uma denúncia e conseguiu prender Jean, Geraldo e Míriam. Já Felipe foi detido posteriormente, mas ainda no mesmo dia do crime.

Ainda de acordo com a denúncia, uma casa que estava envolvida na comercialização da lotérica estava sendo negociada com Míriam. O preço era de R$ 750 mil, mas, até a morte da vítima, o valor não havia sido pago pela ré.

Acusados negam participação
Além da família da vítima, parentes dos réus também foram ao fórum para acompanhar o julgamento.

Vestidos com blusas estampadas com o rosto de Felipe, familiares defendiam a inocência do réu. “Eu reconheço que é uma dor muito forte perder um ente querido, ninguém está preparado para isso, mas confesso que a gente também perdeu um ano do meu irmão. Eu creio que nesse processo são duas vítimas: a família que perdeu e meu irmão que está preso por algo que não fez”, disse a irmã dele, Camila de Oliveira.

A defesa de Míriam também alega inocência e diz que ela não tinha conhecimento do crime apesar de ser a motorista do carro em que Jean e Geraldo entraram após o assassinato.

“Eu vou negar a participação da Míriam, eu vou negar que existisse por parte dela dolo, tendo em vista que ela não tinha conhecimento do fato. Tanto é que o carro dela está estacionado muito longe de onde aconteceram os fatos.

O g1 Minas não localizou a defesa dos outros dois réus. Assista ao vídeo no g1 Minas — Belo Horizonte – Raquel Freitas.

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