Reajuste de tarifas de lotéricas segue sem data e percentual definido

O reajuste das tarifas da Rede Lotérica segue sem data e sem percentual definidos. A Federação Brasileira das Empresas Lotéricas (Febralot) informou, nesta sexta-feira (15/8), que a Caixa Econômica Federal ainda está na fase de precificação interna, com os setores envolvidos antes de qualquer proposta ser submetida à federação.
A nota, assinada pelo presidente da Febralot, Ricardo Amado Costa, foi endereçada aos presidentes dos sindicatos estaduais e detalha o estágio atual das negociações.
Histórico sem garantia de repetição
Em edições anteriores, os reajustes foram efetivados até outubro, com efeitos retroativos a 1º de julho, data de referência acordada com o Senado Federal. A própria federação, porém, faz questão de separar esse histórico de qualquer promessa para 2026. “Isso é apenas um histórico, não uma confirmação de que neste ano ocorrerá da mesma forma”, registra a nota.
A ressalva não é protocolar. A Febralot reconhece que o cenário estrutural do setor limita o espaço para um reajuste que recomponha integralmente a inflação. A queda contínua no volume de autenticações na rede física e a migração de transações para canais digitais, onde as tarifas são menores ou inexistentes como no caso do Pix, corroem a base de receita das lotéricas. Segundo a federação, mesmo uma retroatividade de alguns meses “tende a representar pouco diante da perda de volume que estamos enfrentando”.
A proposta sobre boletos Caixa
Em paralelo ao reajuste geral, a Febralot tenta avançar numa frente específica; a remuneração das lotéricas na autenticação de boletos Caixa. Hoje, o valor cobrado por esse serviço é dividido entre o banco, a superintendência regional ou agência e a lotérica. A proposta da federação é transferir uma das parcelas atualmente destinadas à própria Caixa para melhorar a remuneração do operador lotérico.
A medida, se aprovada, representaria uma redistribuição da tarifa já existente, sem necessidade de elevar o custo final ao consumidor.
Desequilíbrio econômico na pauta
A federação reconhece que o ritmo das negociações está aquém da urgência enfrentada pela rede. “Sabemos que isso está muito aquém da urgência vivida pela Rede e não resolve o nosso principal problema; o crescente desequilíbrio econômico-financeiro das Lotéricas”, afirma Ricardo Amado Costa na nota.
A Febralot informou que continuará cobrando respostas e soluções concretas da Caixa. Por ora, o processo segue em aberto; sem prazo, sem percentual e sem solução definida para o problema central que o setor enfrenta.


