Receita Federal arrecada R$ 9,91 bilhões com apostas e jogos de azar de janeiro a agosto

A Receita Federal arrecadou R$ 9,91 bilhões com a tributação de apostas e jogos de azar (incluindo as loterias da Caixa) entre janeiro e agosto de 2026, valor 69,25% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o total havia sido de R$ 5,857 bilhões. Os dados constam do balanço de arrecadação por divisão econômica divulgado pelo órgão nesta terça-feira (22/9).
Apenas em agosto, o setor de exploração de jogos de azar e apostas recolheu R$ 1,163 bilhão, ante R$ 1,463 bilhão em julho — uma queda de 20,51% na comparação mensal.
Esse valor se refere aos montantes arrecadados pela Receita Federal, incluindo tributos federais como o IRPJ, CSLL e PIS/Cofins. Os recursos retornam à sociedade por meio de políticas públicas em diversas áreas.
Os números constam da Análise Mensal de agosto de 2026, apresentada pelos auditores fiscais Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros, e Marcelo Gomide, coordenador de Previsão e Análise da Receita Federal.
Mês a mês: agosto quebra a sequência de altas
Desde abril, a arrecadação mensal das bets vinha em trajetória ascendente, superando a marca de R$ 1,4 bilhão em quase todos os meses. Agosto interrompe essa sequência com a primeira queda mensal desde o recuo sazonal de fevereiro e março (período de Carnaval) — desta vez sem um fator sazonal equivalente para explicá-la. Uma hipótese para a queda pode ser o efeito de “ressaca” pós-Copa do Mundo: julho foi o mês da final do torneio (19/7), e agosto é o primeiro mês fechado inteiramente sem o evento movimentando o volume de apostas.

Projeção para 2026
Em todo o ano de 2025, o Brasil arrecadou R$ 9,95 bilhões com a tributação de apostas e jogos de azar. Com os R$ 9,91 bilhões já recolhidos nos oito primeiros meses de 2026, o país praticamente igualou o total do ano passado inteiro — restando ainda quatro meses para o fechamento do exercício fiscal.
A projeção para o ano fechado depende de qual ritmo prevalecer daqui até dezembro:
⇒ Mantendo a média dos oito meses já fechados (R$ 1,239 bi/mês), o total de 2026 ficaria em torno de R$ 14,9 bilhões.
⇒ Se agosto marcar um novo patamar mais baixo e essa cadência (R$ 1,163 bi/mês) persistir, o ano fecharia perto de R$ 14,6 bilhões.
⇒ Se setembro a dezembro retomarem o ritmo de R$ 1,4 bi/mês visto entre abril e julho, o total pode chegar a R$ 15,5 bilhões.
Qualquer um desses cenários fica abaixo dos R$ 16 bilhões projetados no balanço de julho — a queda de agosto, se não for revertida nos próximos meses, reduz a estimativa de fechamento do ano.
Enquanto a arrecadação cresce, avança a agenda contra o setor
O crescimento da receita não tem freado a ofensiva do governo contra as bets. No mesmo dia da divulgação dos dados de agosto, em discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente Lula levou o tema ao plenário internacional: disse que a indústria das bets “transforma o vício em lucro” e que o Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio. A fala ocorre a 12 dias do primeiro turno das eleições, e vem em meio à avaliação, pelo governo, de uma medida provisória para restringir apostas — que pode incluir a proibição de cassinos on-line.
O discurso reforça um ponto que os números de 2026 tornam cada vez mais concreto: qualquer medida de proibição ou restrição severa colocaria em risco uma receita que, em ritmo atual, deve superar a arrecadação de 2025 em pelo menos 47% — recursos que hoje se revertem em políticas públicas e que o governo estaria disposto a abrir mão em nome de uma pauta que também tem apelo eleitoral.


